Não gosto de unanimidades. Não gosto, nunca gostei e sempre fui peremptoriamente contra aquela corrente que acredita piamente que elas são úteis. Não são e opõem-se a tudo o que é valores da democracia. Discutir é bom e saudável. Eu pelo menos faço por ir contra elas (as unanimidades claro). Sinto-me confortável a criticar, a deitar abaixo, de ser do contra e recomendo vivamente qualquer pessoa a experimentá-lo.
Tudo isto vem a propósito do Jack Johnson. Resolvi aproveitar todas as potencialidades, justas ou não, de um blog (afinal pudemos escrever tudo o que se quisermos, sem dar satisfações a quem quer que seja) e decidi desancá-lo. Desta vez toca ao
surfeco. Azar! Para a próxima com certeza a fava calha a outro/a. De momento a vítima está escolhida, e há que encarar a
sessão como um homenzinho.
Começo por dizer que nunca fui um fã do elemento (antes pelo contrário), mas também nunca me choquei com nada que ele tenha feito musicalmente. O rapaz até tem uma voz decente, um aspecto apresentável e move-se num meio que muito respeito… afinal sou amante de tudo o que é desporto (andebol talvez não, mas adiante). No entanto a coisa fica-se por aqui. A partir de agora, pega-se na serra eléctrica e começa a sessão do serrote.
Há que dizer que a música do Jack Johnson é de um aborrecimento sem precedentes. Toda aquele ambiente de estar à volta da fogueirinha com a guitarra, a cantar sobre o amor, a paz, a natureza, as ondas, as tristezas da vida, o sol ou sobre o que raio seja, causa em mim um sensação de perda de tempo constrangedora. Não que tenha alguma coisa contra guitarras acústicas, folk ou o que for que o rapaz pensa que faz nos seus discos. Robert Zimmerman revolucionou o mundo com a sua guitarra fajuta e eu adoro a música do senhor. Mas é neste ponto que reside a minha irritação em relação ao
surfeco. É uma música acomodada, preguiçosa, de bem com a vida, indo contra tudo o que acredito que música deve representar, tanto em relação a quem a faz, como em relação a quem a ouve. Por isso comecei este texto a falar das unanimidades. A música do Jack é fácil, é consensual, é unânime e por isso reservo-me ao direito de não gostar dela.
Sempre fui daqueles que gostam das personagens musicais não alinhadas. Gosto dos vilões e quanto mais feios, porcos e maus melhor. Seja na pop, no rock, no metal, no rap/hip-hop, no que for. Gosto de linguagens arriscadas e exploratórias. Ora tudo isto é exactamente o contrário do que o Jack faz. A música dele não podia estar mais longe destas considerações. O rapaz tem um som que foge do risco como o diabo foge da cruz, ele próprio apresenta-se numa complacência gritante e a sua música é tão conciliadora que chega a ser penoso o exercício de a ouvir. Em última análise colide com tudo o que a música devia ser: um verdadeiro «walk on the wildside», seja no formato A, seja no formato B. Convenhamos, o rapaz é tão chato, tão chato, tão chato que se fosse um automóvel seria um Renault Clio.
Só para concluir, acho que só me fica bem esclarecer que com certeza absoluta haverá muitas mais coisas na música actual bem piores (e como!) do que o que o
surfeco faz. Dou esse dado de borla. Mas o problema é que a grande parte das misérias musicais que por aí andam não são unanimidades. O Jack é uma. E eu, como já se constatou, não gosto de unanimidades.
Para os fãs do fulano, as minhas desculpas.
Não! Retiro o pedido de desculpas. Metam gelo e vão ouvir música como deve ser. E agora, se me dão licença, vou pôr o “Antichrist Superstar” dos Marilyn Manson. Esses sim!!! Feios, porcos e maus como se querem!