segunda-feira, abril 18, 2005

Limite de mandatos

Eu estava de acordo com a limitação de números de mandatos e mais fiquei depois das declarações do Sr. Jardim, mas depois de ler o artigo de António Barreto no Publico de domingo, deixei de ter certezas sobre este assunto. Estou confuso.

sexta-feira, abril 15, 2005

Acabou-se a mama

Lembro-me que aquando do referendo sobre a regionalização em 1998 votei contra. Votei contra a regionalização e votei contra a minha vontade.

Sempre fui (e serei) a favor de uma real descentralização e desconcentração dos poderes da admistração central. Acho que os poderes local e regional, concebidos em formatos mais ambiciosos, podem encerrar em si mesmos muitas mais potencialidades e utilidades do que aquelas que se encontram nos moldes actuais. No entanto, sempre recusei a ideia de dotar as mesmas com mais poderes, enquanto uma determinada cambada política ainda estivesse no comando das operações. Acho mesmo que um dos grandes obstáculos para a evolução política do país tem sido o tal dirigismo local/regional. Dirigismo este, nas mãos daquele tipo de político que se agarra ao poder como se fosse seu, abrindo o caminho para as mafias locais, a política do compadrio e a promoção de uma pessoalização do poder que só lembra a América Latina.

Foi por isso que votei contra a regionalização e contra a minha vontade. A meu ver, era um projecto que traria muitíssimas vantagens para Portugal e comprovaria a plena maturidade da democracia portuguesa. O problema é que essa maturidade ainda não era, nem é real. O problema é que as novas competências, os novos poderes, as novas habilitações cairíam nas mãos da tal cambada. Por isso votei contra. Óbvio que haverá excepções. Se assim não fosse, estaríamos perdidos. Mas apesar disso, parece-me evidente que a imagem de marca dos poderes local e regional deste país é precisamente a do dirigente versão coronel da Tapitanga. Temos os Mários Almeidas, os Fernandos Ruas, os Avelinos F. Torres, os Albertos J. Jardins, os Mesquitas Machados... uma verdadeira Al Qaeda dentro do dirigismo partidário português, que dura desde o dia 26 de Abril de 1974.

Não me interessa, nem distingo partidos ou coligações. Estamos a falar de pessoas. É a este tipo de pessoas que está entregue o poder local/regional. É a este tipo de pessoas que se têm de apontar baterias. Daí eu ser completamente a favor de uma lei de limitação de mandatos, mesmo que esta seja particularmente direccionada para o poder local e regional. Como dizia hoje na TSF a Clara Ferreira Alves, no "Mel com fel", ala que se faz tarde!

Não é um diploma isento de discussão. Longe disso. Penso no entanto, que as vantagens e méritos da proposta ultrapassam, e muito, as suas desvantagens. Pelo menos uma coisa é certa! Aquele argumento, de que deste modo está-se a limitar o direito de escolha do eleitor, não vinga. É mais que óbvio que, uma vez no poder 1, 2, 3 mandatos e por aí fora, a manipulação da máquina local e partidária torna inevitável, fácil e irresistível a eternização de um Lucky Luciano no poder.

Que podia ir mais longe, podia. Aí está uma acusação justa para esta proposta do governo. Mas que é um bom ponto de partida, é. Pelo menos para a próxima, eu talvez possa votar de acordo com a minha vontade.

Um outro Papa... em Lisboa e Porto

Depois de anos sem sequer cheirar a possibilidade de assitir a uma sessão do senhor, em 2003, a fartura foi muita.

Em Sampa duas vezes. Uma no Hotel Unique. A outra no saudoso Clube Urbano, onde passei todas as minhas noites de segunda-feira durante um ano. No Rio (com companhia mais que especial), o deleite foi disfrutado nuns armazéns algures na cidade... algures.

Agora já ninguém tem desculpa.

Afrika Bambaataa no Lux, Lisboa, dia 28 de Abril, e na Casa da Música, Porto, dia 29.
Não sei se vou. Mas gostava.

quinta-feira, abril 14, 2005

Cambalhotas no final

Dos filmes com finais surpreendentes prefiro aqueles em que o realizador não está o filme todo a tentar levar o espectador para um dos possíveis fins. Eu explico: ontem estava a ver o Nine Queens de Fabian Bielinsky (muito bom por sinal) e tal como no The Game do David Fincher, está constantemente a tentar levar-nos a adivinhar um fim. Eu não gosto disso, prefiro ser surpreendido com o desfecho como acontece no The Sixth Sense de M. Night Shyamalan ou no Ocean’s Eleven de Steven Soderbergh. Dá menos trabalho a quem vê e isso é bom.

Opinião Vs. Openião

Eu sei que se deve dizer opinião mas prefiro dizer openião, enervam-me pessoas que dizem opinião.

Felicidade

É minha opinião sobre a vida que todos os seres procuram a felicidade.

E por isso, nestes tempos de pouco tempo, cá vai uma receita rápida para chegar à felicidade:


Peixinhos da Horta

0,5 kg. de feijão verde; farinha; leite; sal.

Depois de lhes retirar as extremidades e o fios, coza o feijão verde em água temperada com sal.

Assim que estiver cozido, escorra-o e passe-o pelo polme de farinha com leite, levando a fritar unidos 3 a 3.


Para desenjoar partilhe-se um birinaite com os amigos.

Felicidade garantida.

segunda-feira, abril 11, 2005

Girl Power

"Dedicated to all the women and men struggling to keep their self-respect in this climate of misogyny, money-worship, and mass production of hip-hop's illegitimate child «Hip-pop», and especially to Gil Scott-Heron, friend, living legend and proto-rapper, who wrote
«The Revolution Will Not Be Televised»

Much respect.

Your revolution will not happen between these thighs,
your revolution will not happen between these thighs

The real revolution ain't about booty size,
the Versaces you buys or the Lexus you drives
and though we've lost Biggie Smalls
your Notorious revolution will never allow you to lace no lyrical douche in my bush

your revolution will not be you killing me softly with Fugees
your revolution won't knock me up without no ring
and produce li'l future MCs
because that revolution will not happen between these thighs

your revolution will not find me in the backseat of Jeep
with LL hard as hell doin' it & doin it & doin' it well
your revolution will not be you smackin' it up, flippin' it, or rubbin' it down
nor will it take you downtown or humpin' around
because that revolution will not happen between these thighs

your revolution will not have me singing ain't no nigger like the one I got
your revolution will no be you sending me for no drip drip VD shot
your revolution will not involve me feeling your rise or helping you fantasize
because that revolution will not happen between these thighs

and no, my Jamaican brother, you revolution
will not make me feel bombastic and really fantastic
have you groping in the dark for that rubber wrapped in plastic
you will not be touching your lips to my triple dip of french vanilla butter pecan chocolate deluxe or having Akinyele's dream, a six-foot blowjob machine you wanna subjugate your queen
think I should put that in my mouth just 'cause you made a few bucks

your revolution will not be me tossing my weave
making believe i'm some caviar-eating, ghetto mafia clown or me givin' up my behind
just so I can get signed 'and maybe have someone else write my rhymes?

I'm Sarah Jones, not Foxy Brown

your revolution makes me wonder,
where could we go if we could drop the empty pursuit of props
and the ego revolt back to our Roots, use a little Common sense on a Quest to make love De La Soul, no pretense...
but your revolution will not be you flexing your little sex and status to express what you feel

Your revolution will not happen between these thighs
Will not happen between these thighs
Will not be you shaking and me *yawn* faking
Between these thighs

Because the real revolution, that's right
I said the real revolution
You know I'm talking about the revolution
When it comes, it's gonna be real
it's gonna be real
it's gonna be real
when it finally comes
when it finally comes
it's gonna be real, yeah yeah"

"Your Revolution" de Sarah Jones

(Dedicado à Tipper Gore)

Opinião suspeitíssima

Acabei de ler, na semana passada, o "Chronicles: volume one" do Bob Dylan. Um exemplo acabado do que deveria ser toda e qualquer autobiografia. Note-se que para um, enfrentar os seus fantasmas não é nada fácil... e o senhor não tem poucos.

Que venha o segundo volume. Já!!

domingo, abril 10, 2005

Dêem lá um brinquedo ao míudo

«João Soares vai correr para Sintra. João Soares deverá ser o candidato do PS à Câmara de Sintra. O convite foi feito por Jorge Coelho e visa recuperar a terceira maior Câmara do país para os socialistas, estando Soares a ser fortemente pressionado para aceitar. "Depois de ganhar Lisboa e Porto, eleger João Soares em Sintra passará a ser o terceiro grande objectivo do PS nas próximas autárquicas", afirmou ao EXPRESSO um dos responsáveis pelo processo, garantindo que as sondagens encomendadas pela direcção do partido não podiam ser mais animadoras.»

É a política no seu estado mais puro, mas também a revelar o seu perfil mais desconexo. A lógica do poder, pelo poder. Parece uma prova desportiva.

Com o timoneiro autárquico socialista, Jorge Coelho, a comandar o plantel, os socialistas pensam agora candidatar o filho do Mário para Sintra. Se as sondagens dizem que tem fortes hipóteses de vencer, obviamente que se avança.

O petiz não serviu para Lisboa, mas serve agora para Sintra. Evidente!!

sábado, abril 09, 2005

Compras a vulso

Sábado. Dia do semanário Expresso. Já várias vezes me apeteceu perguntar ao jornaleiro se podia levar só os cadernos e suplementos que me interessam e assim pagar menos.

A ver se hoje ganho coragem.

O dom

Tenho um amigo que é a melhor pessoa a escolher as filas.
Pode estar num supermercado, numa portagem, onde ele quiser. Não interessa, escolhe sempre o melhor caminho.
Um exemplo: uma fila com vinte pessoas outra com duas - Qual é que escolhiam?! Obviamente a segunda. Ele escolhe a primeira e é surpreedentemente a mais rápida. Um dom!!
Obrigado Amado por seres quem és.

Vamos ao teatro

Levanta-se o pano, entram os actores.
Em ultima exibição num teatro de Pombal, com Pedro Lopes no papel principal.
“O enterro de Santana”
Bilhetes à venda na ABEP, Fnac e nas bilheteiras de Alvalade.

O Cavalo de Troia

Com o correr dos dias prepararam a transmissão da cerimónia. Tudo ao promenor. Explicaram-se símbolos e liturgias. Dissecou-se a eucaristia e a participação dos seus intervenientes. Descreveu-se o percurso da urna minuciosamente. Enumeraram-se figuras de estado e dignatários presentes. Contaram-se peregrinos. Tudo. Tudo a pente fino.

Fiquei com uma dúvida...

Será que a Sinead O´Connor foi ao funeral do Santo Padre?

sexta-feira, abril 08, 2005

Poliglota

Durante a minha estadia no Brasil, foi sempre um episódio recorrente. Subitamente, alguém percebia que eu não era local:

- De onde voçê é cara?!
- Eu? Eu sou de Lisboa.

O diálogo desenvolvia-se.

- De Portugal!!!?
- É verdade...
- Nossa!!!! Como voçê fala bem português!!

Retalhos

"Esta questão jurídica é fálica"
Desculpe, importa-se de repetir?

Dá-me o seu autógrafo? II


Helen Bonham - Carter Posted by Hello

A- É casada com o Tim Burton.
B- Não há nenhum filme dela que não tenha gostado.
C- É Inglesa.
D- Consegue fazer de um macaco uma coisa bonita.

Desabafo apolítico

Porque é que a democracia me irrita.

Porque é desesperante.
Ontem os hospitais eram S.A., hoje são empresas públicas.
Ontem os manuais de escola eram reutilizáveis, hoje já não.
Não julgo o conteúdo, julgo a forma.
Todos os fazem e todos deseperam.

Recomendo. Vivamente. Posted by Hello

Citação

Confesso.
Confesso que fico esmagado quando vejo alguém a citar.
Para mim é das coisas mais difíceis de fazer.
Quando estou a ler, a ver, a ouvir - o que quer que seja - a última coisa que me passa pela cabeça é decorar ou lembrar aquelas exactas palavras. Aliás, recorrentemente, quando estou a ler, perco-me, tenho de voltar atrás uma quantidade de linhas para ver quem é a personagem que para mim acabou de chegar mas já existe há dezenas de páginas.

E por isso fico esmagado quando alguém cita. Sinto-me na obrigação de responder na mesma moeda e só me lembro do veni, vidi, vinci.

quarta-feira, abril 06, 2005

"When the going gets weird, the weird go pro"

«DENVER, Colorado - Hunter S. Thompson's ashes will be blasted from a cannon mounted inside a 53-foot-high (16.15 meter-high) sculpture of the journalist's "gonzo fist" emblem, his wife said Tuesday.

The cannon shot, planned sometime in August on the grounds of his Aspen-area home, will fulfill the writer's long-cherished wish. "It's expensive, but worth every penny," Anita Thompson said. "I'd like to have several explosions. He loved explosions". Thompson, 67, shot himself in the head on February 20 after a long and flamboyant career that produced such new journalism classics as "Fear and Loathing in Las Vegas" and cast his image as a hard-charging, drug-crazed daredevil. The cannon shot will be part of a larger public celebration of Thompson's life (…) She said the gonzo fist will be mounted on a 100-foot pillar, making the monument 153 feet (46.63 meters) high. It will resemble Thompson's personal symbol, a fist on an upthrust forearm, sometimes with "Gonzo" emblazoned across it. Anita Thompson has said the monument will be a permanent fixture on the writer's 100-acre property. She said planning for the fist has been guided by a video of Thompson and longtime illustrator-collaborator Ralph Steadman, recorded in the late 1970s when they visited a Hollywood funeral home and began mapping out the cannon scheme.» in www.cnn.com (05/04/2005)

O homem, cumprindo o seu lema de vida que dá título a este post, nunca fez as coisas por menos. Chamem-lhe bêbado, drogado, arruaceiro, amante de armas, louco, dissimulado... o que se quiser. Uma coisa é certa. Para além de um talento literário único, era um genuíno rebelde dentro de uma América que nunca teve a capacidade necessária para lidar com os seus desalinhados.

Como refere a sua recente víuva: "He loved explosions"... a senhora não podia estar mais certa!

Vergonha Alheia

É um sentimento difícil de exprimir por palavras, são aqueles arrepios quando se vê alguém fazer em publico figuras muito ridículas. Tudo começou para mim na chuva de estrelas com aqueles pseudo artistas a esforçarem-se imenso por atingir uma nota que nunca conseguiam. Com o sucesso do formato criou-se um enorme mundo de pessoas a humilhar-se por um possível lugar de fama, multiplicando o número de vezes que eu era confrontado com este sentimento. Quando tudo tinha acalmado voltaram à carga com os Ídolos.
Este sentimento é estranho porque não é pena, eu não tenho pena daquelas pessoas. Tenho vergonha, mas porquê? Não sou eu que estou lá.
Isto é muito esquisito.

Há 10 anos...


"Corte de Cabelo" de Joaquim Sapinho

terça-feira, abril 05, 2005

Merda!!

O quotidiano é assim mesmo. É quotidiano. É diário. Estabelece-se no dia-a-dia. Quero falar do quotidiano. Do meu quotidiano. Quero falar daqueles pequenos momentos do meu dia, muitas vezes apenas fracções de segundo ou ínfimos detalhes, que me tiram do sério. Situações que por mais ridiculamente insignificantes que sejam, me deixam à beira de uma ataque de nervos. Óbvio que estou a falar de verdadeiras frivolidades que não têm, ou pelo menos não deveriam ter, qualquer importância no desenrolar da minha jornada diária. Mas o certo é que, mormente no momento em que acontecem, esses pequenos pormenores (bela redundância!) deixam-me completamente descompensado a nível nervoso. Temporariamente insano. Até parece que se me turva a visão. Por instantes o bom senso vai pelo ar. São episódios que certamente passados 5/10 minutos já nem me lembro que se sucederam. Mas que eles acontecem… acontecem. Fazem parte do quotidiano. Do meu quotidiano.

Feita a explicação, passo a inventariar uma lista de coisas que não têm importância absolutamente nenhuma na minha rotina diária, mas que de facto me irritam até dizer mais não:

· Estar parado no trânsito na faixa consideravelmente mais lenta;
· Estar parado no trânsito, mudar de faixa e verificar que a nova faixa está mais lenta do que aquela de onde eu vinha;
· Rebentar, sem querer, a gema do meu ovo estrelado antes do tempo (para mim deve ser sempre a última coisa a comer);
· Chegar ao quiosque dos jornais para comprar o Record e só haver o Jogo;
· Pedir na pastelaria uma sandwich ou um croissaint com queijo para embrulhar e, mais tarde quando for comer, reparar que não fizeram um corte ao meio;
· Andar calçado na praia e sentir a areia que começa a entrar dentro dos ténis;
· Estar a ver um jogo de futebol menos entusiasmante e sem golos, fazer um zapping e perder o golaço que entretanto marcaram;
· Dirigir-me a um/a empregado/a de mesa com o clássico “olhe se faz favor… queria…”, e ele/a responder-me com a piadinha “queria?!... mas já não quer?”;
· Abrir um cd novinho em folha e reparar que as patilhas do fixador no meio da caixa estão partidas;
· Enviar um mail e depois perceber que me esqueci de fazer o attachment;
· Estar a ouvir na rádio uma música que adoro e de repente cortarem-na para entrar publicidade ou as notícias;
· O léxico usado pelos polícias em Portugal;
· O Richard Gere e o Russel Crowe;
· Escolher uma bomba de combustível que parece não funcionar por estar em módulo de pré-pagamento;
· Ouvir o Miguel Sousa Tavares a falar de futebol;
· Os franceses;
· Os taxistas de todo o planeta Terra;
· Os discursos das vitórias consecutivas do P.C.P. em todas as noites de eleições desde o pós-25 de Abril;
· Os filmes do Ron Howard;
· Entrar numa rua com 3761 lugares vagos para o carro e ter um junkie petulante a indicar-me um em particular (e no fim ainda me pede uns trocos);
· Contas de dividir.

Dividir a sociedade

Existe quem divida a sociedade em operários e donos do capital, eu divido-a entre quem gosta dos desenhos animados Warner Bros. e Disney. Os primeiros são inteligentes, divertidos e com um grande sentido crítico, os segundos são foleiros e lamechas. Basta lembrarmo-nos das figuras mais relevantes Bugs Bunny (cruel, sem escrúpulos) e Mickey (todo certinho, muito justo) para percebermos esta diferença.

sexta-feira, abril 01, 2005

Já que falam nisso...


"Easy Riders, Raging Bulls: How the Sex 'N' Drugs 'N' Rock 'n' Roll Generation Saved Hollywood" de Peter Biskind

Para quem gostou do tema de capa da edição do Y desta semana, rogo que leiam o livro que é várias vezes citado no referido texto. Tive a oportunidade de o devorar à 4 anos e ainda hoje tenho pena de o ter acabado. Bom proveito.

Keane

Não adoro a música dos Keane nem acho que são um prodígio musical mas são, no mínimo, agradáveis de ouvir. Fazem uma música simples, harmoniosa e consensual. Não têm pretensões de ser muito elaborados nem de criar novos estilos musicais. São o exemplo que a música comercial não tem de ser porcaria para as pessoas gostarem. Ao contrário de outros artistas não têm a pose de quem está a mudar o mundo. Por isto gosto de ouvir Keane.

Stargate ou reforma antecipada

Ao fazer zapping no outro dia reparei na série stargate na Sic radical, fiquei surpreso ao ver juntos dois dos meus heróis de infância, Macgyver e Parker Lewis.
É estranho ver dois artistas que não há muito tempo eram estrelas nas suas séries de sucesso, aparecerem na televisão velhos e cansados, faz-me sentir mais velho.
Sei que depois dos sucessos que tiveram é complicado manter o nível mas não deixa de parecer que têm de juntar mais uns dólares para se poderem reformar num condomínio sénior na Florida.

quinta-feira, março 31, 2005

Dá-me o seu autógrafo?


6 razões para adorar incondicionalmente Annabella Gloria Philomena Sciorra:

1) Foi Angie Tucci no "Jungle Fever" do Spike Lee;
2) Foi Jeanette Tempio no "The Funeral" do Abel Ferrara;
3) Foi Gloria Trillo na série "The Sopranos";
4) Sempre fez o que bem entendeu;
5) É Italo-Americana;
6) É morena.

O Código do (roubar para a) Estrada

Está aí o novo Código da Estrada, novo salvo seja, na verdade a única coisa que mudou no dito foi o nº3 de cada artigo, aquele que diz “quem infringir o disposto nos números anteriores é sancionado com uma coima de x€ a y€”.

Este Código da Estrada podia (ou foi) alterado pelo Ministério das Finanças, não há qualquer vestígio do Ministério da Administração Interna ter tocado neste diploma.

É uma experiência única ler o preâmbulo do diploma (onde o legislador se digna a explicar as razão de tão nobre lei nova); assim a facilidade do acesso ao automóvel, a melhoria das vias de comunicação, o aumento de velocidade média praticada em razão da evolução dos veículos leva a que o Código da Estrada necessite de ser revisto por forma a garantir a segurança rodoviária e a prevenção dos acidentes.

Esperando nós, comuns condutores, mudanças revolucionárias como aulas de civismo de condução desde a primária, controlo exemplar sobre as escolas de condução que dão 2 aulas de Código e assinam 30, revisão dos limites de velocidade fora das localidades e em determinadas zonas dentro das localidades para velocidades realistas e ainda seguras, escolaridade obrigatória para obter licença de conduzir, trânsito alternativo/condicionado dentro e fora das cidades para pesados de mercadorias, o que é que recebemos…

“Em face desta realidade consagra-se um novo escalão sancionatório” (legislador dixit). São novos escalões para a velocidade, são novos escalões para o álcool, para o telemóvel…

Em tempos recentes, e não tão recentes, a aplicação de coimas não serviu para mitigar ou atenuar a taxa da sinistralidade porque é que este novo aumento o fará?

Este Inverno dizem que foi o ano com a menor sinistralidade de sempre. Logo surgiram os membros do MAI, DGV, PSP, GNR, a darem pancadinhas nas costas uns dos outros – este ano deu resultado hein! –

Esquecem-se – ou fazem por esquecer - que este ano foi o ano mais seco de chuva, ou seja, pluviosidade nula.

Estou a contar que, perante este estado de coisas, num futuro próximo, os agentes de autoridade montem barraquinha nas estações de serviço, com terminal Visa, Multibanco e esplanada para refrescos enquanto preenchem a papelada.

Estava-me a esquecer de uma coisa (e assim consegui começar todos os parágrafos por E), a mais importante delas, o Código resolveu, finalmente, uma questão doutrinária secular entre os foristas – defendiam que a circulação nas rotundas era sempre feita por fora – e os dentristas – a circulação nas rotundas era de dentro para fora – ganharam os primeiros.

quarta-feira, março 30, 2005

Tudo a piar fininho

Porque não aprovar um Código da Estrada quinzenalmente?
Ou mesmo semanalmente?!

Bobby!!!!

Robert Mugabe, Presidente do Zimbabwe, sobre as eleições legislativas de amanhã no país, em discurso na 59ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas (Setembro de 2004):

"These elections will be conducted in accordance with our national laws and the Southern African Development Community Principles and Guidelines governing Democratic elections. Zimbabwe will welcome to these elections those observers whose sole and undivided purpose will be to observe the process and not meddle in the politics of the country".

Olhe desculpe... importa-se de repetir?

"These elections will be conducted in accordance with our national laws and the Southern African Development Community Principles and Guidelines governing Democratic elections. Zimbabwe will welcome to these elections those observers whose sole and undivided purpose will be to observe the process and not meddle in the politics of the country".

Sucesso garantido ou talvez não

Na revista Única desta semana vem um artigo sobre um software de computador que permite com bastante precisão calcular a probabilidade de sucesso de uma música. Este programa analisa 20 variáveis entre as quais a harmonia, melodia e tempo comparando-a depois aos sucessos musicais dos últimos trinta anos. Segundo o artigo as editoras portuguesas desconhecem-no. A sério? Nunca imaginei.Com tantos sucessos! Pensei que já o usavam mas não diziam nada para serem os únicos com tantos hits.
Não digo que isto seja um processo muito romântico, mas na música pop seria pelo menos interessante as editoras portuguesas conhecerem este programa. Uma ajuda, está disponível em http://www.hitsongscience.com/ e custa só 50€ por música.

Leoa com a sua cria


"Donna con bambino seduta o Maternitá" de Amedeo Modigliani (1919)

Adenda ao post anterior

Assaltou-me uma dúvida depois de escrever o "post" Segundas vidas.

Se Manuel Maria Carrilho ganhar as eleições à C.M.L como é que vai resolver o problema do túnel?

Recorrerá ao método indutivo ou ao método dedutivo?

Ou será que vai lançar mão da "bomba atómica da Filosofia", a maiêutica?

Chrissie Hynde infectada com o vírus da raiva


"Fever to Tell" dos Yeah Yeah Yeahs

TAXI!


De leitura obrigatória para os militantes do CDS/Partido Popular.

Ainda a polémica sobre Campo de Ourique

Recomendo a todos os que seguem este blog que leiam com atenção o post do Domingos sobre Campo de Ourique, assim como a polémica que se gerou nos comentários. São desde já convidados a deixar lá a vossa opinião.

terça-feira, março 29, 2005

Segundas Vidas

"O Secretariado Nacional do PS vai aprovar amanhã as candidaturas de Manuel Maria Carrilho à presidência da Câmara de Lisboa e de Francisco Assis à presidência da autarquia do Porto, disse à Lusa fonte da direcção socialista."


Mansa, mansa e lentamente eis que os guterristas, depois de longas travessias em federações nacionais, comissões eventuais e outras tais, são recompensados com a alvorada socrática.

Risco não seguro

Amigo desta casa, estrangeirado, a ler por total conta e risco do utilizador:

http://hospiciofundodireita.blogspot.com/

Afinal de loucos temos todos um pouco.

É p'ró menino, é p'rá menina!

Aconselha-se que todos se apressem a conseguir um lugar entre os 1500 novos estagiários anunciados pelo novo Governo (será mesmo novo?!?). Pelo menos, no que toca a estágios públicos, a minha experiência é imoralmente maravilhosa: laptop, dinheiro no bolso, vôos para lá, vôos para cá... um fartote! Para cúmulo meteram-me no Brasil para trabalhar.

Só de me lembrar que diziam que os seleccionados faziam parte da nata da nata dá-me arrepios. Tive o meu pico cedo demais é o que é... agora, com apenas 27 anos, já estou na fase descendente da minha carreira (suspiro).

E! vs. TVI nos Julgamentos

O canal E! está a fazer o reenactment do julgamento de Michael Jackson, não sei porque é que nenhum canal português, principalmente a TVI, ainda não agarrou neste excitante formato. Seria muito mais interessante ver no serão televisivo o julgamento da Casa Pia, com o sósia de Carlos Cruz a fazer de Carlos Cruz, um treinador das distritais a fazer de Bibi (tinha de usar aquele casaco das primeiras declarações de Bibi à Sic) e Júlio Isidro no papel de Adelino Granja. Espero sinceramente que esta ideia não caia em saco roto e que um visionário director de programas nos presenteie com esta maravilha.

P.S. – Quem não acreditar vá ao link http://www.eonline.com/News/Specials/Jackson/index.html?fdfour3

Falar de música

Irá decorrer na Culturgest um ciclo de conferências sobre musica.
"Especulações Críticas Sobre Cinco Momentos da Música do Século XX
por António Pinho Vargas
Partindo de uma temática particular em cada um dos cinco momentos estas especulações críticas levantam hipóteses novas ou mesmo heterodoxas sobre a música do século XX. Face às narrativas artísticas e ideológicas auto-construídas procura-se levantar alguns véus e propôr visões alternativas em relação aos discursos habituais
."
Recomendo vivamente as conferências de dia 20 e 27 de Abril sobre música dos anos 60 e 80. Para conhecer mais visitar http://www.culturgest.pt/

Jay O'Brien

Tenho hoje para mim que o "Late Night Show" do Conan O'Brien é melhor que o "Tonight Show" do Jay Leno.
O Conan usa um humor muito mais corrosivo, quase a raiar a insolência, enquanto o Jay está numa fase mais adiantada onde já só se limita a passar a mão pelo pêlo dos que lá passam.
Ora, isso reflecte-se nos convidados de um e de outro, enquanto o Jay recebe Hollywood em peso, o Conan tem de se aguentar com a Broadway.
Só um pequeno senão, o Kevin Eubanks é 20 vezes melhor que o Max Weinberg.

segunda-feira, março 28, 2005


Se alguém souber onde anda Olaf Marshall avise-me

Jack Jonhson parte 2

No seguimento do post do Diogo, não posso deixar de dizer algumas palavras sobre este artista. Jack Jonhson está numa encruzilhada. Por um lado é um surfista rebelde, liberto dos valores materiais supérfluos, por outro faz uma música totalmente consentânea com os cânones pop. Esta posição cheira a esturro. Não condeno ninguém por enveredar por uma posição mais comercial, pelo contrário acho isto louvável. Ir por este caminho mas assumir uma imagem contrária ao pop é que me parece um logro. Se calhar já é tempo dele tomar uma de duas posições: Arriscar na música que compõe ou sair daquela postura de one with nature.

Carlos Alberto Moniz versão surf

Não gosto de unanimidades. Não gosto, nunca gostei e sempre fui peremptoriamente contra aquela corrente que acredita piamente que elas são úteis. Não são e opõem-se a tudo o que é valores da democracia. Discutir é bom e saudável. Eu pelo menos faço por ir contra elas (as unanimidades claro). Sinto-me confortável a criticar, a deitar abaixo, de ser do contra e recomendo vivamente qualquer pessoa a experimentá-lo.

Tudo isto vem a propósito do Jack Johnson. Resolvi aproveitar todas as potencialidades, justas ou não, de um blog (afinal pudemos escrever tudo o que se quisermos, sem dar satisfações a quem quer que seja) e decidi desancá-lo. Desta vez toca ao surfeco. Azar! Para a próxima com certeza a fava calha a outro/a. De momento a vítima está escolhida, e há que encarar a sessão como um homenzinho.

Começo por dizer que nunca fui um fã do elemento (antes pelo contrário), mas também nunca me choquei com nada que ele tenha feito musicalmente. O rapaz até tem uma voz decente, um aspecto apresentável e move-se num meio que muito respeito… afinal sou amante de tudo o que é desporto (andebol talvez não, mas adiante). No entanto a coisa fica-se por aqui. A partir de agora, pega-se na serra eléctrica e começa a sessão do serrote.

Há que dizer que a música do Jack Johnson é de um aborrecimento sem precedentes. Toda aquele ambiente de estar à volta da fogueirinha com a guitarra, a cantar sobre o amor, a paz, a natureza, as ondas, as tristezas da vida, o sol ou sobre o que raio seja, causa em mim um sensação de perda de tempo constrangedora. Não que tenha alguma coisa contra guitarras acústicas, folk ou o que for que o rapaz pensa que faz nos seus discos. Robert Zimmerman revolucionou o mundo com a sua guitarra fajuta e eu adoro a música do senhor. Mas é neste ponto que reside a minha irritação em relação ao surfeco. É uma música acomodada, preguiçosa, de bem com a vida, indo contra tudo o que acredito que música deve representar, tanto em relação a quem a faz, como em relação a quem a ouve. Por isso comecei este texto a falar das unanimidades. A música do Jack é fácil, é consensual, é unânime e por isso reservo-me ao direito de não gostar dela.

Sempre fui daqueles que gostam das personagens musicais não alinhadas. Gosto dos vilões e quanto mais feios, porcos e maus melhor. Seja na pop, no rock, no metal, no rap/hip-hop, no que for. Gosto de linguagens arriscadas e exploratórias. Ora tudo isto é exactamente o contrário do que o Jack faz. A música dele não podia estar mais longe destas considerações. O rapaz tem um som que foge do risco como o diabo foge da cruz, ele próprio apresenta-se numa complacência gritante e a sua música é tão conciliadora que chega a ser penoso o exercício de a ouvir. Em última análise colide com tudo o que a música devia ser: um verdadeiro «walk on the wildside», seja no formato A, seja no formato B. Convenhamos, o rapaz é tão chato, tão chato, tão chato que se fosse um automóvel seria um Renault Clio.

Só para concluir, acho que só me fica bem esclarecer que com certeza absoluta haverá muitas mais coisas na música actual bem piores (e como!) do que o que o surfeco faz. Dou esse dado de borla. Mas o problema é que a grande parte das misérias musicais que por aí andam não são unanimidades. O Jack é uma. E eu, como já se constatou, não gosto de unanimidades.

Para os fãs do fulano, as minhas desculpas.

Não! Retiro o pedido de desculpas. Metam gelo e vão ouvir música como deve ser. E agora, se me dão licença, vou pôr o “Antichrist Superstar” dos Marilyn Manson. Esses sim!!! Feios, porcos e maus como se querem!

Bloco de Direita

A ideia não é minha mas concordo totalmente com ela. A criação de um movimento, que defenda ideias concretas e exequíveis no plano económico, com o mercado como motor da economia e o estado um elemento regulador. A grande diferença estaria na liberalização do plano ideológico, ou seja, um partido que defendesse a liberdade de escolha, afastando-se da Igreja e de valores morais muito rígidos. Esta ideia de liberdade individual não é monopólio dos partidos de esquerda, tem é sido esquecida pelos partidos de direita e aproveitada pelos restantes.
No fundo este bloco é mais ou menos o que o PS está a tentar fazer neste governo. Agora é preciso que alguém queira tomar para si este projecto.

Fumos

Inês Pedrosa in Revista Única (Expresso), 11 Outubro 2003

«O nosso problema é sermos iguais aos cigarros cuja marca deixámos agora perder; portugueses suaves, sim. Demasiado suaves — tanto que permitimos que os burocratas da Europa riscassem o «suave» do maço de tabaco que nos singularizava. Como se suave fosse sinónimo de «light». Como se não pudéssemos decidir morrer suavemente — morrer devagar, como escreveu o poeta. Sou insuspeita nessa saudade, deixei de fumar há quase um ano. Mas recordo a felicidade de Caetano Veloso, em 1985, quando lhe ofereci um Português Suave — recordo que, por causa do encanto com essa marca («Um cigarro onde se concentra o temperamento do país, veja só que ideia genial!») ele sorriu e prolongou mais uma hora a entrevista que já estava a exceder o cronómetro previsto. Quando deixa de ser suave, o português torna-se manso, que é uma variante perigosíssima, intradiplomática, da sonsidão. Mal se descuida, o sonso torna-se insonsso. Ora, quem não tem sal não cruza mares nem faz germinar a terra.»

Cá vai o último parágrafo de um dos magníficos artigos da Inês Pedrosa, e que mantenho guardado já há uns tempos junto a dois maços do «Português Suave» com o nome à antiga. Qualquer dia fumo tudo.

sábado, março 26, 2005

A Orelha de Van Gogh

Na Sicília, sempre que alguém quer desafiar outra pessoa para um duelo embarca numa coreografia aproximada do ritual de acasalamento de animais. Primeiro medem-se, avançam um para o outro, apertam as mãos e depois um deles morde a orelha do outro (aí o caldo está definitivamente entornado).


Isto a propósito da ópera "Cavalaria Rusticana" que vi ontem no S. Carlos. A ópera desenrola-se na Sicília onde a traição (mulheres como sempre) leva a que um homem desafie outro mordendo-lhe a orelha.

Cheguei a casa e, embalado, fui ver o Padrinho III. Vincent Mancini (Andy Garcia) morde a orelha a Joey Zasa (Joe Mantegna) depois do ritual.

Isto tudo para dizer duas coisas:

1-A "Cavalaria Rusticana" de Mascagni está para a ópera como a "Macarena" dos Los Del Río está para a pop. São dois one hit wonders.

2-O "Padrinho III" está a envelhecer muito bem. Não me admirava que daqui a uns anos fosse posto ao nível do II.

quinta-feira, março 24, 2005

Vítor Rainho/Luís Delgado

Em principio estas duas pessoas não teriam ligação, mas para mim têm. São os únicos cronistas que eu leio exclusivamente para me irritar. Não sei porque é que continuo a ler mas não consigo parar.
Vítor Rainho oscila nas suas crónicas entre assuntos perfeitamente absurdos (no outro dia estava a dormir e um amigo seu telefonou-lhe para ir beber um copo) e a descrição de festas de qualidade bastante duvidável (Kiss e companhia). Tem uma noção de noite totalmente desactualizada e desencontrada com a realidade, mas o que é que ele comenta … Noite.
Luís Delgado depois da maratona de auto humilhação, defendendo até à exaustão o indefensável começa, qual gata com cio, a roçar-se nas pernas do executivo de Sócrates.
No governo PSD chegou a ser divertido ler e ouvir os seus comentários, principalmente quando deixava o papel de comentador e assumia o papel de amigo do Pedro. Agora quando, todos pensavam que tinha chegado a sua hora e que iria acompanhar o seu amigo Pedro num desses empregos de luxo que ele tanto anunciou, dá uma volta de 180 graus e começa de mansinho a elogiar a prestação do novo governo na assembleia. Se eu fosse o seu amigo Pedro enviava a sua fotografia para a sede do PS.
Agora vou-me embora porque tenho de ir ler a crónica do Vítor Rainho na Única para me irritar um bocado.

Alice no País das Maravilhas

De entre as melhores recordações de infância que tenho (aquelas que comoventemente recordo e que mais me marcaram para o resto da vida), estão as dezenas e dezenas de fins de semana ou dias de férias que passei a vaguear na loja de discos do meu avô materno, situada na Rua Serpa Pinto em Santarém. Numa época em que o vosso modesto escriba ainda não passava de um puto (a descobrir tudo e todos), aquele espaço era um verdadeiro lugar mágico para mim. É mesmo assim. Mágico! Uns tiveram a quinta dos avós, o sótão da casa de família ou o quintal da vivenda de verão. Eu tive a loja do avô.

A loja do Manuel dos Reis Torgal chamava-se FRILUX (de frio e luz). No início, meados da década de 60, começou por ser um estabelecimento focado para a venda de electródomésticos como frigoríficos, torradeiras, candeeiros, gira-discos, gravadores, tv's, etc, etc. Era a época em que meia Santarém se juntava na montra da loja para ver o Benfica do Eusébio na caixa mágica, aparelho (adoro esta palavra) que muito poucos se podiam dar ao luxo de ter em casa. Com o passar do tempo e com a (feliz) massificação do negócio dos artigos eléctricos, o Manuel decidiu-se pelo câmbio de rumo do negócio. Próxima paragem: vender discos. Vender música! Assim criava-se (na minha opinião) a única discoteca minimamente decente para comprar discos em Santarém... e o Manuel passava a ser o Manuel dos discos.

Este breve histórico serve apenas para situar o generoso leitor. É aqui que entro no quadro. Eram os anos oitenta prego a fundo contra a parede de betão contra a qual acabariam por bater e eu, com a minha precoce idade, tinha naquela discoteca o meu parque infantil. É naquela loja, naquela época, que a música entra na minha vida. Mas entra não de uma maneira despretenciosa, sem intenções. Não! Entra de forma maliciosa, viciante e mal itencionada. Afinal estamos a falar da violenta corrupção de um míudo de 6, 7 ou 8 anos. É aí que começa a minha dança com discos, autores, músicas, cd's (bem mais tarde), letras, capas, produtores, concertos, distribuidoras, video-clips, fotos, etc, etc, etc. Basicamente estava aberto o caminho para a criação de um pop junkie. Zero de inocência.

Passava os fins de semana quase que integralmente enfiado naquele espaço. A chatear as pessoas para me deixarem estar atrás do balcão e fingir que atendia clientes, a ouvir discos, a gravar cassetes, ajudar a minha avó a fazer a lista do stock que se tinha de ir buscar a Lisboa, colar os últimos posters nas paredes, ouvir e aprender tudo o que podia com o empregado João e com os amigos dele, que por lá passavam para trocar umas ideias, etc, etc, etc.

Eram os meus tempos de descoberta! Bom ou mau... tudo era novo. E a necessidade era essa mesma. Conhecer tudo o que era novo.

Eram uns tempos em que um cliente punha a loja toda a ouvir o disco que tinha pedido para audição.
Uns tempos onde a Laura Branigan (que Deus a tenha) ainda vendia discos.
Uns tempos em que tremia de medo só de olhar para as capas dos álbuns dos W.A.S.P.
Uns tempos em que gravava cassetes com coisas tão díspares como Ramones, Kim Wild, Zeppelin, Rádio Macau, Barclay James Harvest...
Uns tempos em que o Morrisey dizia que todos os dias eram como o Domingo.
Uns tempos em que os irmãos William e Jim Reid andavam em piloto Automatic.
Uns tempos onde o Bob Geldof queria mudar o Mundo.

Enfim... uns tempos que já não o são.

(Dedicado ao Manuel dos discos e à sua esposa)

Sampa... 31 de Janeiro de 2003

Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruza a Ipiranga e Av. São João
É que quando eu cheguei por aqui eu nada entendi
Da dura poesia concreta de tuas esquinas
Da deselegância discreta de tuas meninas
Ainda não havia para mim Rita Lee
A tua mais completa tradução
Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruza a Ipiranga e avenida São João

Quando eu te encarei frente a frente e não vi o meu rosto
Chamei de mau gosto o que vi, de mau gosto, mau gosto
É que Narciso acha feio o que não é espelho
E à mente apavora o que ainda não é mesmo velho
Nada do que não era antes quando não somos mutantes
E foste um difícil começo
Afasto o que não conheço
E quem vem de outro sonho feliz de cidade
Aprende depressa a chamar-te de realidade
Porque és o avesso do avesso do avesso do avesso

Do povo oprimido nas filas, nas vilas, favelas
Da força da grana que ergue e destrói coisas belas
Da feia fumaça que sobe, apagando as estrelas
Eu vejo surgir teus poetas de campos, espaços
Tuas oficinas de florestas, teus deuses da chuva
Pan-Américas de Áfricas utópicas, túmulo do samba
Mas possível novo quilombo de Zumbi
E os Novos Baianos passeiam na tua garoa
E novos baianos te podem curtir numa boa

"Sampa" de Caetano Veloso


Não me lembro de melhor definição.

Marcus José Fernandes AKA CopKiller

"De acordo com uma fonte policial, um Peugeot 206 aproximou-se lentamente e parou. Um dos 4 passageiros, de óculos, baixo e entroncado, saiu e foi abrir o portão. Não teve tempo. Um dos inspectores disparou pelo menos um tiro de intimidação para o ar. Marcus congelou. Pôs as mãos na cabeça, sentou-se no chão e rendeu-se, sem oferecer resistência."

Marcus Fernandes foi o presumível autor dos disparos que provocaram a morte dos dois polícias da Amadora.

É impressão minha ou tanto o Marcus como o Inspector não andam a ver muitos filmes americanos?

Curta

Quanto mais tempo pensares menor a probabilidade de errar.
Desde a 4ª classe que nos ensinam isto...
e ainda não aprendi.

Há qualquer coisa em Campo de Ourique...

Não será uma zona nobre como o Chiado, uma zona chique como a Lapa, ou uma zona moderna (ou nem tanto) como a Avenida de Roma. Mas que não deixa ninguém indiferente é seguro.

Tavez o facto de numa cidade feita de prémios montanha, existir um refrescante planalto, saudavelmente organizado, ajude.

Mas são as pequenas coisas que fazem a diferença e que não dispenso.

Desde que conheço Campo de Ourique conheço as mesmas lojas, os mesmos restaurantes e os mesmos cafés, numa teimosia obstinada ao passar do tempo. A "Alcalá" da Almeida e Sousa, o "Eduardo dos Livros" na Tenente Ferreira Durão, a Ler" na 4 da Infantaria, o "Canas" na Saraiva de Carvalho, ou o "Értilas" e a "Tentadora" na Ferreira Borges.

Todos os que tentaram ensinar a esses habitantes novos hábitos e costumes... falharam. Disso exemplo será a passagem meteórica da loja "Mariana" pela Ferreira Borges, não durou mais que os restos de perú congelado do Natal 2004. Ou o "Café di Roma" da mesma rua que não serviu bicas o suficiente para aquecer um Inverno.

Temos, também, a religião. Que bairro se pode orgulhar de ter mais templos do que o somatório de todos os existentes nos bairros adjacentes? É nos Prazeres, é em Santa Isabel e será em Santo Condestável só para falar dos mais imponentes. Falamos de um aparente pulsar de fé incomparável.
E por falar em religião, que outro bairro tem mais referência à República? O "pulmão verde" é da parada (militar) que ostenta, orgulhosamente, um vigoroso seio republicano. A 4ª e a 16ª Infantaria dispensam apresentações. E para rematar a primeira bomba do 5 de Outubro tinha logo de cair na esquina da Rua do Patrocínio... Duarte Pio e sua prole não devem ser assíduos da Ferreira Borges aos Sábados à tarde.
Depois existem coisas verdadeiramente inquietantes. O quartel de bombeiros ser em frente a um lar para cegos e a taxa de sinistralidade rodoviária ser zero é, no mínimo, milagre (lá está o efeito dos templos).
Campo de Ourique não tem estacionamento, pois não. Só tem cinemas em ruínas, pois só. O estádio de Alvalade é longe, pois é. Mas sinto-o como se fosse meu...

quarta-feira, março 23, 2005

Aos meus parceiros...

"A friend is a person with whom I may be sincere. Before him I may think aloud."

Ralph Waldo Emerson

Uma Imagem de esperança


Bons velhos tempos

Jorge Fernando, Fernando Pereira, Olga Cardoso, António Sala, Cândida Branca-Flor, o marido da Valentina Torres, José Cid e José Malhoa.Obrigado a estes artistas por nos mostrarem o quanto a música portuguesa melhorou nos últimos anos.

História da música electrónica

Este link, http://www.di.fm/edmguide/edmguide.html, dá acesso a uma página onde se pode conhecer a evolução da música electrónica desde os anos 70 até aos nossos dias. É necessário ter presente a dificuldade de catalogar música de uma forma estanque, sendo esta apenas uma das muitas formas de a dividir.Fora o trance e o hardcore vale a pena perder um tempo a explorar o site.

A cooperativa

O nome a cooperativa, não é uma alusão aos tempos da reforma agrícola, quando uns senhores de patilhas diziam “agora esta enxada já não é sua, é da cooperativa”.

David Brent (the office)

“What is the single most important thing for a company? Is it the building? Is it the stock? Is it the turnover? It’s the people, investment in people. My proudest moment here wasn’t when I increased profits by 17%, or cut expenditure without losing a single member of staff. No. It was a young Greek guy, first job in the country, hardly spoke a word of English, but he came to me and he went ‘Mr. Brent, will you be the Godfather to my child?’.Didn’t happen in the end. We had to let him go, he was rubbish. He was rubbish!”
Brent

“If a good man comes to me, and says thank you David, for the opportunity and continued support in the work-related arena, but I’ve done that, I wanna better myself, I wanna move on, then I can make that dream come true, to, AKA, for you.”
David

Quem conhece esta série vai adorar o blog http://homepage.mac.com/elliottday/theoffice/index.html , quem não conhece, vá comprar o dvd.

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