sexta-feira, outubro 21, 2005

O meu voto já tem dono*


Agora que a candidatura presidencial de Cavaco Silva é oficial, já posso fazer a minha declaração de voto para as eleições que se seguem. Bem sei que é muito cedo (ainda nem sequer há data oficial para o acto eleitoral), mas bem vistas as opções, a minha decisão foi muito fácil de tomar.

Devo dizer, que votarei em Cavaco Silva por duas razões. A primeira prende-se com o facto de eu ser um confesso admirador do professor de economia. Acredito que os seus anos de governo foram os melhores que este país teve desde há muitos e muitos anos, e, nos tempos que correm, estou convencido que tem o perfil ideal para Belém. É um homem sério, honesto, seguro, com prestígio internacional, rigoroso, exigente e conhece como poucos os meandros do poder político em Portugal. Respeitinho é muito bonito e Cavaco sabe como consegui-lo. A juntar a isto, conforta-me saber que ele é o único candidato presidencial que se apresenta para ganhar umas eleições e não para derrotar alguém ou alguma coisa (neste quesito os candidatos de esquerda têm-se apresentado com uma postura assaz esquizofrénica em relação ao papão da direita).

A segunda ordem de razões está relacionada com o basilar princípio da exclusão de partes. Tendo em conta os outros candidatos, mesmo que eu não estivesse tão convicto do meu sentido de voto, seria bem provável que o meu voto lhe tocasse. Nunca na minha vida o meu voto iria para a candidatura apoiada pelos comunistas. Muito menos reservaria o meu direito de escolha em prol do candidato populista. Em relação à candidatura romântica, reconheço a minha simpatia por ela, mas políticos não se querem românticos, mas sim competentes e talhados para determinado cargo. Quanto à candidatura do mofo, além de se apresentar de uma forma pedante e irritantemente paternal, dá a ideia que goza com as pessoas (o que é loucura hoje, pode não o ser amanhã).

Tenho dito.

*Como se depreende do título, apenas explico a minha posição pessoal nestas eleições presidenciais e não do resto das pessoas que integram a Cooperativa. Este post apenas declara o meu sentido de voto e não do blog e dos seus elementos.

terça-feira, outubro 18, 2005

DocLisboa 2005

Esta coisa dos festivais de cinema tem sempre aquele elemento de rifa. Primeiro agendamos o dia em que é possível ir a alguma sessão. Segundo percebemos quais as sessões que nos dão jeito no dia seleccionado. Terceiro, se houver várias opções, escolhemos o filme que ficou com o privilégio de ser visionado (e digo privilégio, porque nos dias que correm tempo é um bem escasso).

Há vezes que a escolha se revela uma grande caca. Há outras, em que a obra que nos ficou reservada é uma absoluta revelação. Felizmente foi o que me calhou ontem no DocLisboa 2005*. Numa semana frenética, no único dia que podia ir ao festival, saquei da cartola esta pequena maravilha do documentário moderno.

Realizado pelo brilhantíssimo Ross McElwee, autor que só agora tive a honra de descobrir (e que honra!), este "Sherman's March" é pura inspiração. Junte-se um jovem documentarista em acentuada crise de identidade, medos e fobias de ameaça nuclear, uma vida amorosa frustrada e allenesca, a cruzada arrasadora de Sherman pelos estados do sul americano, a família típica do dirty south e Burt Reynolds e temos um dos exemplos mais fantásticos que tive a oportunidade de conhecer no campo do cinema documental. Enfim, uma noite em que a rifa que saiu valeu, e muito, a pena.

*Recomendação à organização: quando se exibe um filme de 155 minutos, um intervalo não fazia mal nenhum. Nenhum!!!!.

sexta-feira, outubro 14, 2005

quinta-feira, outubro 13, 2005

Controle de ansiedade


Tenho lido um pouco por todo o lado que o filme é uma maravilha. Não me admirava nada. Pelo menos em termos de protagonistas está lá gente que realmente interessa (Hoffman, Keener, Cooper).

Enquanto não chega a nossa vez, para não deixar a impaciência tomar conta da situação, sempre se pode ir lendo e relendo papelada. Nestes momentos de espera passar o tempo é uma necessidade. Se possível, bem rápida.

O que lhe aconteceu?

Ao ler um artigo de Francisco Belard na revista Actual do Expresso, deparei-me com a seguinte frase “…depois do que aconteceu, como sabemos, a Orhan Pamuk...”. Ele sabe, vocês podem saber, mas eu e se calhar mais de oitenta por cento dos leitores do artigo não sabemos, por isso pedia encarecidamente que algum leitor me pudesse esclarecer o que lhe aconteceu.

From NYC with love

Este já cá canta.

quarta-feira, outubro 12, 2005

Um murro no estômago

Desde o "Corte de Cabelo" e o "Ossos" que não saía assim de uma sala de cinema depois de ver um filme português. Falo de "Alice", um verdadeiro portento cinematográfico.

Construindo um filme de estrutura perfeita (argumento e montagem fabulosos), Marco Martins consegue filmar Lisboa de uma maneira verdadeiramente desoladora e utiliza o silêncio da mesma maneira que se usa um facalhão bem afiado para cortar o coração de outrem. Nuno Lopes cumpre um verdadeiro tour de force, digno de um Pacino em "Serpico" ou de um Cage em "Leaving Las Vegas". Beatriz Batrada, se é que ainda haveria alguma necessidade, em 4 ou 5 cenas confirma ser a maior actriz portuguesa da actualidade. Os secundários, como Ivo Canelas ou Miguel Guilherme, ajudam inolvidávelmente à festa. Para concluir, a música de Bernardo Sasseti surge como a cereja no topo do bolo.

Sabendo que o produto é 100% português dá um gozo especial. Bravo!

segunda-feira, outubro 10, 2005

Autárquicas' 05 (VIII)

De longe, os grandes vencedores destas eleições foram os/as Amarantinos/as.

Autárquicas' 05 (VII)

Melhor que o próprio discurso em si, foi ver a Bárbara acenar afirmativamente a cada declaração do marido. Por detrás de um grande homem, está uma grande mulher

Autárquicas' 05 (VI)

O CDS/PP está quase a assumir o posto de lanterna vermelha partidária. Já faltou menos.

Autárquicas' 05 (V)

Queria aqui deixar a minha solidariedade para com o homem do microfone no discurso de vitória do Major Valentim Loureiro. Força homem!!! Sei que fizeste o melhor possível (mas foi por um triz que não mamaste um sopapo).

Autárquicas' 05 (IV)

João Soares começa a fazer lembrar aqueles treinadores, tipo Luís Campos, que cada vez que pegam numa equipa descem de divisão. Sempre que se lembra de encabeçar uma lista, vai para casa na noite eleições com um belo cabaz debaixo do braço.

Autárquicas' 05 (III)

Dos comentadores convidados pelas TV's para análise do processo eleitoral um se destacou. Ou melhor, uma se destacou. Odete Santos, pela imagem, discurso, postura, personalidade, etc, confirma que continua a ser um dos grandes OVNIS da política nacional. Absolutamente única.

Autárquicas' 05 (II)

Foi penoso ver e ouvir o discurso de derrota de Manuel Maria Carrilho. No fundo o candidato vencido (e de que maneira) apenas confirma as razões da sua não votação pelos alfacinhas. É um fulano intragável.

Deselegante como de costume, mostrou o que é a essência do não saber perder. Pior ainda, foi o pedantismo polidíssimo demonstrado quando afirmou que havia que se fazer um reflexão da nossa democracia tendo em conta a sua derrota. Claro! Se perdeu, é porque somos todos estúpidos.

Autárquicas' 05 (I)

Há muito que algo assim não se verificava. Desta vez o PCP, com a sua CDU, foi mesmo (mesmo!) um dos vencedores da noite.

quinta-feira, outubro 06, 2005

Assistir a um concerto

Não posso concordar (se é que tenho de concordar ou discordar com o que fôr). Concedo que a expressão «ver um concerto» pode ser redutora. É redutora. Uma pessoa «assiste a um concerto». Neste caso o brasileirismo é mais elucidativo do próprio acto. Ver, ouvir, cheirar... a todos os sentidos se faz um apelo quando se «assiste a um concerto».

Em relação à música, dizer que ao ouvir os discos em casa se dispensa o acto de «ver um concerto» (no sentido de «assistir a um concerto»), retira-se toda a vitalidade à música propriamente dita. O improviso, o ruído, o erro, a fisicalidade, a teatralidade, entre outras, são potencialidades inalcançáveis através de uma experiência doméstica. Mutatis mutandis, é impossível captar determinados pormenores ou nuances ao «ver um concerto» (no sentido de «assistir a um concerto»). Uma não elimina a outra, mas ambas são necessárias.

Dia mundial dos professores

O dia mundial dos professores é 5 de Outubro que em Portugal é feriado.
Coincidência ou reflexo da realidade?
Nesta linha de pensamento o dia mundial dos juízes podia ser mudado para dia 10 Junho ou o dia dos funcionários públicos para dia 25 de Abril.

Indecisões de um republicano

Ano após ano a minha dúvida permanece. Todos os 5 de Outubro tenho o mesmo dilema: o que é que eu festejo mais? O fim da monarquia ou a implantação da República?

Bem vistas as coisas, o resultado é o mesmo. Júbilo. Puro júbilo.

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