sexta-feira, janeiro 06, 2006

Diz-me onde trabalhas…

E talvez possa dizer quem és.

Nestes tempos de massificação e uniformização de comportamentos é engraçado viver o ambiente de cada local de trabalho.

Numa recente sondagem que saiu num qualquer jornal dizia-se que as pessoas tinham mais confiança num médico que ostentasse uma gravata do que um descamisado. Ora nessa linha, em visita a uma agência de publicidade vejo que tanto para os trabalhadores como para os clientes vale tudo menos andar nú. Isso, em contraste por exemplo com um escritório de advogados, onde uma camisa às riscas ou uma gravata amarela é um arrojo, diz muito do que se espera de cada profissional. Fica a ideia que se um publicitário aparecer de gravata provavelmente porá as lavadeiras a vender Omo, e se uma advogado ou médico aparecerem só de camisa serão respectivamente especialistas em divórcios ou cirúgia plástica.

Estado do Estado

Uma ida às finanças é o melhor exemplo de quando se tenta dialogar com o Estado e ele não quer ou não consegue.

Alzira

Além do nome tipicamente português (nome da empregada dos meus avós) coincide com uma das melhores óperas de Verdi. Para quem gosta de coros poderosos e inflamados e de óperas dominadas pelo tenor encontrará aqui um bom asilo musical. Estranhamente é uma das óperas menos conhecidas de Verdi o que só é explicável pelas poucas encenações que se fizeram desta ópera.
Acresce que a par das Vespri Siciliani tem a melhor abertura de Verdi.

Ana Sousa Dias

Não consigo gostar da senhora. Nunca gostei, fiz um esforço quando estava na moda mas é penoso ver aquelas entrevistas. Tudo é vagaroso, numa permanente primeira mudança.

Isto a propósito das duas últimas entrevistas que vi dela. O Ricardo Araújo Pereira parecia um peixe fora de água, as perguntas, de um interesse confrangedor, mereciam respostas monosilábicas. A última, com Paolo Pinamonti (director do S. Carlos), foi a gota de água. Quando Ana Sousa Dias pergunta se o público português é um bom público para além de tossir muito, senti vergonha. Mais ainda quando remata perguntando se os outros públicos são iguais. Ou seja, numa frase consegue coincidir ignorância confessa, provincianismo primário e pedância aguda.

Honra seja feita aos dois convidados que, apesar do visível incómodo, portaram-se à altura, sobretudo Pinamonti que nunca tinha visto ao vivo e fiquei com muito boa impressão, o que aliás reflecte o excelente trabalho que tem feito no S. Carlos.

Vasalagem a mais... chateia

Sobre o novo de Sam Mendes à volta da 1ª guerra do Golfo, "Jarhead", pouco há a dizer. Estão lá Coppola, Cimino, Stone, Kubrick, Ashby e por aí fora. Ao principio a coisa até corre decentemente. Uma referência ao "Apocalypse Now" fica sempre bem. Mas com o decorrer do filme as coisas começam a revelar-se um bocado desnecessárias. É uma sequência de vénias atrás de vénias até se chegar à ridícula cena em que o grupo de magalas se embebeda gravemente a cantar o "O.P.P." dos Naughty by Nature, remetendo levianamente para a maravilhosa cena do "Platoon" em que a rapaziada desfruta de uma belíssima pedrada ao som do Smokey Robinson & the Miracles a cantar "The Track of my Tears".

Conclusão: é copy/paste a mais para o meu gosto.

p.s.: Uma line do filme salvou-me temporariamente. Ao ouvir o "Break on Through" a personagem principal sai-se com a seguinte genialidade: "That's Vietnam music. Can't we get our own music?"

quinta-feira, janeiro 05, 2006

Globalização

Bono Vox actualmente é a versão/réplica internacional do Paulo China.

A matraca provoca pânico


"O Grito" de Edvard Munch

O quadro deve ilustrar bem o estado de espírito da equipa do candidato do mofo. Directores de campanha, assessores de imprensa, apoiantes e toda essa gente que, democratica e civicamente, anda a promover esforços para o sucesso da sua candidatura devem andar em terror constante. Um verdadeiro estado de sítio eleitoral. Cada vez que o candidato abre a boca o pânico deve ser generalizado, tal é a quantidade de pérolas e bojardas (não sabia que Ribeiro e Castro era xuxa) proferidas nas últimas semanas de luta política.

Cada semana, cada tiro. Cada tiro, cada melro.

quarta-feira, janeiro 04, 2006

O adeus de Rainho

Vítor Rainho despediu-se esta semana das suas crónicas na revista Única.
A crónica intitulada o ultimo copo, era um espaço sem nada escrito.
Finalmente uma crónica com a qual concordo do principio ao fim.

O regrrresso do rrrrrei

Acabei de ouvir a entrevista de Francisco Louçã na TSF. Continua em grande forma.

quinta-feira, dezembro 29, 2005

Restos de Natal

É pena. O último do Mos Def ("The New Danger") é tão fraquinho que parece uma colectânea de músicas rejeitadas na hora de fazer o alinhamento do iluminado "Black On Both Sides".

Sacks 5th Av. em Casablanca

Devo começar por dizer imediatamente que gostei abbastanza do filme. Num ano relativamente pálido em termos cinematográficos até nem é elogio pequeno. Gostei do “Shopgirl”. Gostei.

Dos actores não há nada a dizer. Pelo menos de negativo. Primeiro a menina Claire Danes, que nunca apreciei especialmente, apresenta-se com uma melancolia desarmadamente sexy. No filme, mais irresistível que ela só mesmo a música. Do outro lado da barricada dois actores - e esses sim, eu gosto e muito - com interpretações de alto gabarito. Steve Martin num fantástico exercício de contenção (não habitual num cómico brilhante que não raras vezes entra no campo do burlesco) e o fabuloso Jason Schwartzman que por este andar está a caminho de ser um dos meus personal favorites. Não ultrapassa o nível do seu maravilhoso Max Fischer em “Rushmore”, mas mesmo assim volta a confirmar que é um dos grandes balões de oxigénio no que toca a novas gerações de actores norte-americanos (ou não fosse o moleque Coppola de linhagem).

Quanto ao filme propriamente dito (com argumento de Steve Martin a adaptar uma romance de sua autoria) esperava outra coisa e ainda bem que assim foi. Li mais que uma vez que o filme remetia para o inultrapassável "Lost in Translation". Estava de pé atrás. Como era possível?! Como era possível comparar um qualquer filme a outro tão único e singular como o de Sofia? Basicamente estava preparadíssimo para o mal dizer e só me faltava mesmo ver o filme para me sentir completamente legitimado para o desancar. Mas não. Antes pelo contrário. Não percebo as comparações entre os dois filmes e alguém ainda me há-de explicar o que é que os dois têm tanto em comum que justifique grandes paralelos. Não se percebe. Em última análise “Shopgirl” é um filme sobre o destino, sobre escolhas de fortuna... sobre escolhas de amor. O homem (em sentido amplo, não sexista) não foi feito para estar e ficar sozinho. E é partir desta premissa que o filme se desenrola. Nesta vida há escolhas a fazer e essas escolhas são difíceis. Para todos! Ou vais pela esquerda ou vais pela direita, mas pelo meio é que não é possível. Simples, mas assustador.

Por estas razões, e desde já perdoem-me os fundamentalistas do clássico de Curtiz (eu, um deles, absolvo-me desde já), o filme que mais me recordou o visionamento deste “Shopgirl” foi mesmo o sagrado “Casablanca”. Uma mulher, dois homens. Cada um deles representa duas opções angustiosamente diferentes, dois estilos de vida desiguais... enfim, duas escolhas. Das tais. Das difíceis. Das atrozes. É o que acontece nos dois filmes. Em ambos a mulher está numa encruzilhada. Por um lado uma paixão avassaladora, mas talvez impossível, ou melhor, talvez movediça. Do outro, a segurança e garantia da reciprocidade amorosa, o conforto de ser amada incondicionalmente.

Sinal dos tempos (ou nem tanto), comprovativo que em certos casos a tradição ainda é o que era ou mesmo o carácter imutável de certas aflições humanas, em ambos os filmes a mulher escolhe o mais seguro, o amparo, aquilo que não envolve tanto risco. Em ambos os casos, as cobardolas decidem-se por fugir do amor em estado puro e feroz. “Isso é coisa que só acontece no cinema” terão pensado Ilsa e Mirabelle.

quarta-feira, dezembro 21, 2005

Questão de etiqueta

Estou a desesperar por uma explicação diferente da única que encontro para responder à minha dúvida: quem era a pessoa sistematicamente referida pelo candidato do mofo como "ele" no debate de ontem?

terça-feira, dezembro 20, 2005

O extremista

Era tão gay, tão gay, tão gay que dizia que a sua personagem favorita do Star Wars era o Luke Skywalker.

terça-feira, dezembro 13, 2005

Os acrobatas


Depois de tudo o que se passou no século passado e com os poucos e vegetativos exemplos que ainda por aí existem à escala mundial, ser comunista é cada vez mais um acto de malabarismo. Só mesmo um verdadeiro artista pode ser vermelho nos dias que correm. Quanto à política, essa há muito que não tem nada a ver com o assunto.

Retirada?

Bom artigo sobre a guerra no Iraque.
http://www.timesonline.co.uk/article/0,,22369-1922513,00.html

Xmas

Existe uma nova polémica nos Estados Unidos, esta polémica, prende-se com o facto de, segundo a direita religiosa, George W. Bush estar a ceder aos interesses da esquerda liberal, quando fala do natal como época festiva e não querendo associar esta época a nenhum credo religioso.
Acho interessante que numa altura em que os E.U.A. estão numa guerra descabida e poucos meses depois da tragédia de New Orleans, seja este um tema que gasta tempo e energias a ser discutido na opinião pública.
Parece-me que mais uma vez a discussão do acessório se sobrepõe ao debate sobre o essencial. Mas isso se calhar até interessa a esta direita religiosa que se diz tão ofendida.

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