sexta-feira, outubro 13, 2006

Infâmia

O Prémio Nobel da Paz deste ano foi (pelo que li e ouvi, muito bem) entregue a um banqueiro do Bangladesh e ao banco que fundou: a Muhammad Yunus e ao Grameen Bank respectivamente. Com um banqueiro e o seu banco a serem premiados com tamanha distinção até imagino Francisco Louçã e Jerónimo de Sousa a trepar pela paredes. O topete daquela gente! O descaramento!

quarta-feira, outubro 11, 2006

Nada bate certo #2

Depois do aparecimento de uma facção castrista lá para os lados do Largo do Caldas, dou por mim a ver o Sérgio Godinho a representar as cores do Sporting C.P. numa mesa redonda sobre futebol. Estou confuso.

A solidão do Monge

A propósito do aniversário da morte de Thelonious Monk a entrevista de Bill Clinton em 1992 com uma jornalista:

Jornalista: Is there one thing you've always wanted to do?
Clinton: I always wanted to play sax with Thelonious Monk.
Jornalista: (clearly confused) And who is the loneliest monk?

quarta-feira, outubro 04, 2006

terça-feira, outubro 03, 2006

"O apanhador no centeio"

“Catcher in the Rye” de J.D Salinger é de culto, é subversivo.

Holden Caulfield, 16 anos, é capaz de ser das personagens mais fascinantes da literatura americana, tanto ou mais que o próprio autor, figura misteriosa que recusa ser entrevistado.

O que é curioso no personagem Holden Caulfield é que não representa nenhum estereótipo, não é revolucionário (o seu sonho é viver com uma mulher muda numa cabana em floresta deserta), não é corajoso (ele considera-se um “yellow”), não é um lutador, não é especialmente brilhante, enfim é um “regular Joe”.

No entanto é um personagem que suscita compaixão, e com quem, de alguma maneira, nos sentimos identificados. A sua maior preocupação é a falsidade, a incapacidade dos demais serem genuinamente verdadeiros, a representação, a actuação. Quer seja na forma de vestir, nas palavras usadas, no raciocínio utilizado, nos trejeitos, na forma de andar… Nunca somos verdadeiramente nós próprios. Como resultado Caulfield está sempre deprimido.

Na busca de alguém genuíno Caulfield consegue incompatibilizar-se com os todos os que o rodeiam, excepto com a sua irmã de 10 anos, Phoebe (Aos 10 anos ser genuíno não custa nada, é espontâneo).

Mas, na verdade, a pessoa menos genuína é o próprio. Caulfield sistematicamente suspira pelo passado, sendo certo que o passado fazia-o tanto ou mais deprimido que o presente. Ora, não existe maior falsidade que depender do passado para poder criticar o presente pois o tempo é bastante selectivo a apagar memórias.

sábado, setembro 30, 2006

Season Premieres

A Fall premiere no que toca a programas de televisão é do mais esgotador que existe para o telespectador. Diariamente, durante 1 mês, estreiam 3 novas séries por canal e todas, mas todas sem excepção, entre a 7 e as 10 da noite.

E atenção que falo apenas dos canais fora do "cabo", CBS, NBC, ABC e FOX, e excluo os re-runs "Simpsons", "Friends" "Seinfeld" e "Frasier" para mencionar os clássicos.

Depois de muita ginástica consegui ver quase todos (ainda falta a premiere do" Lost" na próxima quarta), e posso informar que o campeão de audiências é o "Studio 60" com Matthew Perry, Amanda Peet e Bradley Whitford. Uma recriação do backstage do Saturday Night Live e de como é difícil a vida dos criativos, escritores, produtores e actores.
"Shark" é um "courtroom drama" com James Woods.
Há um que parece ser bastante bom, "Heroes", ordinary people with special powers, que tem críticas muito positivas.
A dar cartas estão as novas séries do Grey's Anatomy, House, The Office (versão americana) e Desperate Housewives.
Os velhinhos (reciclados) CSI e Law & Order são a chamada "carne para canhão".

Daily routine

Jantar uma tradicional "deep dish pizza" com 10 “primas” da queen Latifah na mesa ao lado pode tornar um jantar tranquilo numa cena eterna de um programa do Jerry Springer.

quinta-feira, setembro 28, 2006

O mundo é a nossa ostra

O planeta Terra e arredores pensava que a Cooperativa tinha já atingido o seu pico, que estava já em pleno período de glória... enfim, a desfrutar a sua Golden Age. Não. Isto ainda agora começou. Em nome dos restante membros do blog queria apenas desejar as boas-vindas à nossa mais recente aquisição. Um grande abraço para o FM e só não lhe desejo boa sorte,porque a sorte é toda nossa.

quarta-feira, setembro 27, 2006

Apontamento II

Durante o tempo que passei em Madrid as referências a Portugal eram mais ao menos recorrentes, nem que fosse uma “caixa” no El Pais ao sábado sobre a emigração ilegal, ou sobre o último relatório da OCDE, podiam ser más referências mas estavam lá. E de certa maneira era um certo conforto saber que a ditosa pátria lá estava, formosa e segura.

Nada me preparava, no entanto, para o choque que o Mid-West americano me reservava. Aqui o mundo assume formas diferentes, começa em Los Angeles desbrava o continente americano até chegar a Nova York e daí em salto mortal passa directamente para o Médio Oriente ignorando olimpicamente a Europa. Exagero dirão, e com razão. O ponto que queria fazer era a inexistência em termos absolutos de referências a Portugal – em países tão grandes custa ser tão pequeno .

Em qualquer praça, atrium ou outro sítio propício a bandeiras eu bem posso olhar em busca da esfera armilar, pois mais rapidamente encontro a bandeira de St. Kitts do que os 5 reis mouros da batalha de Ourique. De nada me serve falar com um brasileiro dizendo que o nosso país é “lindo e maravilhoso” quando, em contraste, me sento com um amigo chileno no autocarro e o condutor pergunta de onde somos, após a correcta indicação da proveniência, surge a exclamação “Ohhh so you guys are from South America!”, seguido de um cúmplice “habla español”.

Mas como em tudo, há momentos em que os pequenos se agigantam, ou não fosse a nossa parábola preferida o David e Golias. E sem mais, num só dia, em televisão nacional, duas referências a Portugal. A primeira no “Jeopardy” – concurso com mais anos de televisão – quando uma concorrente diz que vai aplicar o dinheiro que ganhar em aulas de português para aprender a cantar… o fado. Seguido de um episódio CSI onde o “cirque de soleil” para imitar uma tempestade de areia utiliza “portuguese cork”.

Podem não ser grande coisa, mas pelo menos “lava os olhos”.

A militância continua

Uma vez que parece definitiva a absoluta necessidade de dividir o mundo entre «os que ainda estão com DJ Shadow» e «os que já não estão com DJ Shadow», a minha posição é muito simples: eu sou dos que ainda estão com "The Outsider". Sem qualquer tipo de comiseração.

quinta-feira, setembro 21, 2006

Apontamento

Visitar os Estados Unidos da América ou conhecer americanos é uma experiência radicalmente diferente daquela que é viver nos EUA. Após o período inicial de absoluto deslumbramento um europeu começa, ainda que quase imperceptivelmente, a constatar as pequenas grandes diferenças que fazem este mundo ser tão diferente do outro.

Os EUA são uma sociedade competitiva. Facto absolutamente incontornável e axioma sugestivo para início de conversa em qualquer cocktail de empresa. Para a tornar competitiva vivem sobre o auspício (verdadeiro e não meramente retórico) da igualdade de oportunidades. A todos é dado oportunidade de vencer, de conquistar, e os que conseguem muito bem, os que não conseguem muito mal, i.e., os que conseguem por isso são admirados e queridos sem qualquer ponta da inveja, hipocrisia ou desdém – não existe o comportamento clássico europeu (sobretudo latino) de “puxar para baixo” ou nivelar pela mediana. Os que não conseguem, apesar das oportunidades, são entregues aquilo que os americanos têm de pior, a solidariedade.

E porque é assim, porque a sociedade americana assenta nesta base, o individualismo é quem mais ordena. Quem está ao meu lado é meu concorrente. Eu estou por minha conta e por minha conta estou, eu não dependo de ninguém nem de ninguém quero depender. Por mais estranho que aparente a um europeu, a amizade não é um conceito indispensável para sobreviver nos EUA, e muito menos é o conceito de família.

A mim tudo isto não me parece necessariamente mau, antes pelo contrário, a Europa está no estado em que se encontra por absoluto imobilismo, pelo horror à competição – no fundo, no fundo somos todos uns grandes amigalhaços – e por teimar que todo o insucesso tem uma explicação.

Por outro lado não significa que tudo seja necessariamente bom, um americano quando o dia acaba tem de sentir uma solidão angustiante. Mas para isso sempre existe Prozac.

segunda-feira, setembro 18, 2006

Há coisas que não têm preço

Por imperativos de justiça só decidirei daqui a duas ou três semanas mas, a julgar (permaturamente) pelo nº1, o Sol não ganha em mim um cliente. Como criatura de hábitos compulsivos viciada na segurança que esses mesmo hábitos conferem à minha existência/sobrevivência, temo e desejo ao mesmo tempo que me manterei do lado do Expresso.

De qualquer maneira, a estreia do Sol valeu quanto mais não seja pela entrevista a Maria Filomena Mónica. Pelas melhores e piores razões, só aquilo valeu os 2€ de despesa. Aliás, se o novo semanário mantivesse o calibre da rúbrica de uma forma estável e sustentável no seu futuro, acredito que muitos leitores (incluindo eu) não resistiriam a comprá-lo todos os sábados. Pena é a certeza que assim não acontecerá. O debut pôs a página 2 numa fasquia muito alta.

Quando a Bertrand é a Meia-Laranja

Sobre o "Balada da Praia dos Cães" apenas há a dizer que é pior que cavalo ou crack cocaine. José Cardoso Pires (o JCP que não se confude com o nosso JCP e que nada tem a ver com a JCP) é o dealer e a Bertrand (ou qualquer outra livraria onde se venda o produto) funciona como o Casal Ventoso. Agora, que venha a ressaca.

sexta-feira, setembro 15, 2006

Quando crescer quero ser Atticus Finch

Chicago sport scene

Apesar do Jordan, do futebol americano, do soccer do que seja, em Chicago a instituição desportiva são os Cubs, jogam o pior baseball do planeta (i.e dos USA) e não ganham um campeonato desde 1905. Seus grandes rivais... White Sox de South side Chicago. Curiosidade... nunca jogam uma contra a outra porque disputam ligas diferentes (uma a American League outra a National league).

Chicago music scene


Dana Hall live from Grant Park.

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