
"I See a Darkness" de Bonnie "Prince" Billy
As cooperativas são pessoas colectivas autónomas, de livre constituição, de capital e composição variáveis, que, através da cooperação e entreajuda dos seus membros, com obediência aos princípios cooperativos, visam, sem fins lucrativos, a satisfação das necessidades e aspirações económicas, sociais ou culturais daqueles. [acooperativa@hotmail.com]
Depois do debate de ontem na SIC Notícias com parte dos candidatos à câmara municipal da capital nas próximas eleições intercalares, verifiquei que a questão do Candidato John Lennon também já está arrumada. Helena Roseta dispensou qualquer tipo de concretização programática (o que é isso no jogo político-eleitoral do novo século!?), mas mostrou-se inabalável na sua postura Give Peace a Chance. Muito rock n' roll e do activista, que fica sempre bem.
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Na campanha eleitoral para as intercalares da Câmara de Lisboa, dá-me a ideia que em relação ao Prémio Ron Jeremy estamos resolvidos. Não me parece que o Zé e a Xana deixem fugir o troféu. Aposta fortíssima.
Dentro de toda a genial idiotice e de todos os hilariantes momentos de genuíno burlesco, o excelente "Bowfinger" é, na verdade, uma sentida homenagem ao cinema. Aos filmes propriamente ditos, como arte e ofício, como sonhos.
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Desde o primeiro segundo da extravaganza que se percebeu que se estava perante algo de diabólico. Beyoncé, criatura abençoada por uma mestiçagem sagrada, canta, flirta, dança, seduz, chora, ri, provoca. Texa's finest. O público delira, exulta. Coliseu de Roma. O espectáculo continua com uma perfeição absolutamente fascista que só a pop parece capaz de atingir. God bless America. Falo com os meus botões: "isto vai mudar a minha vida... eu vou sair daqui um homem diferente!". Os botões respondem imediatamente: "Calma jogador!". B., filha pródiga da pop, continua o festival. k. segreda-me que a bailarina da esquerda, a loira, é esplendorosa. Afirmação criminosamente irresponsável e descabida. Insulto-o e ameaço-o com porrada. Só uma coisa interessa naquele momento: ela. E com ela estão lá outros. Estão lá todos: Tina, Diana, Prince Rogers Nelson, Chaka Khan, Whitney, Pam Grier, Madonna, Michael, ..., ... , ... . Para as mudanças de trapinhos da Vénus uma banda 100% feminina entretém os comuns mortais. Chutam de Talib Kweli, a solos de bateria (que eram 3), até um aspirante a solo de sax por cima da linha de baixo de "A Love Supreme" de sua Santidade. O rolo compressor continua implacável. To the left, to the left. E porque é que os meus outros guilty pleasures não são todos assim? To the left, to the left. Mais um trapinho novo e exclamo pela nona vez "Deus do céu!". A cortina desce e um dos maiores acontecimentos da história deste país termina. Mais um "Deus do céu!". A hora é de regresso à Terra. To the left, to the left.
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Suprema coincidência esta de ver o documentário finlandês Revolution (na versão inglesa) precisamente hoje. Extraterrestre fabuloso. Um relato cómico-implacável, mas ternurento qb, do rotundo trambolhão da utopia marxista-leninista através do testemunho de toda uma geração de cantores de intervenção dos anos 70 finlandeses. Tudo sem cinismos... sem ressentimentos.
Kurt sobre Kurt. A voz sobre a sombra. O monge a enfrentar o mundo numa postura do um contra todos. Sofrível, o que nestas coisas de cinema não satisfaz ninguém. Nem o interessante valor documental das cassetes da entrevista salvam o espectador de algum aborrecimento. Como disse muito apropriadamente o meu amigo JCP à saída da sessão: "um powerpoint refinado". Outro 2.
Ele já está aí. Este ano "Le Dernier des Fous" (França), inserido na Competição Internacional, foi o meu primeiro tiro no escuro. Da escala de 1 a 5 dada a público para fazer a sua votação, o filme seguia a passos largos a caminho de um sólido 3. Declaração de intenções precoce. Não consegui lidar bem com o fim. Acabou com um 2.
Agora, e até porque um só pecado mortal sabe a pouco e acaba por não ter piada nenhuma, sucumbo profundamente à irresistível soberba de saber que tenho bilhete para entrar na Arca de Noah, estacionada hoje à noite algures no B.Leza. Diz que até há ursos panda.
Carlos Quevedo, jornalista argentino.