domingo, julho 26, 2009

quarta-feira, julho 22, 2009

Justiça accessorize

É óbvio que qualquer pena encerra em si mesma o objectivo de projectar na sociedade uma censura clara do acto ilícito praticado pelo delinquente e que, para isso, muitas vezes a pena aplicada incute (do verbo incutir) no agente do crime um sentimento de vergonha, constragimento ou embaraço pelo acto praticado.

Agora obrigar um fiscalista cinzentão, conservador por natureza e cavaquista por percurso a usar uma pulseira já me parece zombaria (do verbo zombar) a mais.

ps: é mais que evidente... o jurista que há em mim ainda vive!

segunda-feira, julho 13, 2009

De náusea em náusea

Há um bom par de anos as encíclicas musicais destinadas aos passageiros de elevadores elevou o uso das versões em pan pipe a patamares de pura naúsea. Agora temos os Nouvelle Vague, mas atenção: com elevadores ou não, a náusea continua a mesma.

terça-feira, julho 07, 2009

Sem pânicos

Os mais sensíveis (i.e. comunas) estarão bastante preocupados, mas a mensagem é de serenidade. Não há que entrar em pânicos com os recentes "acontecimentos" na região chinesa de Xinjiang.

Por mais que tentem, nada afectará a paz e harmonia entre os povos na festa do Avante!. E o Partido Comunista Chinês, como sempre, lá estará para prestar a sua inequívoca "solidariedade com a luta dos povos do mundo contra o imperialismo e pela democracia e o socialismo".

quinta-feira, julho 02, 2009

Mateleiros do mundo, uni-vos!!

Sobre o episódio da demissão do ministro Manuel Pinho só há uma coisa a dizer: toda a gente sabe que este país sempre foi muito preconceituoso em relação aos metaleiros. Deixem os rapazes em paz.

terça-feira, junho 30, 2009

Da imperfeição iluminada de um país

Os portugueses adoram a teimosia. Fazem o culto da teimosia. Teimam em ser teimosos. Mesmo que não o sejam, são teimosos ao ponto de se classificarem como tal. Não há nada mais certo e previsível: pergunte-se a anónimos ou personalidades públicas, ícones do auto-intitulado jet-set ou a aspirantes a putas mediáticas: "Qual o seu maior defeito?". A resposta é automática e vaidosa: "Sou muito teimoso/a". É de chapa. Deve tratar-se de um defeito com uma nobreza especial. Um defeito snob. Pelo menos essas pessoas assim devem pensar. Afinal de contas, à pergunta "Qual o seu principal defeito?" não deverá soar muito bem responder "Ah... essa é fácil: sou um pederasta inveterado". Não. Mesmo dentro dos defeitos, há uns melhores que outros, e a teimosia deve ser do melhor que anda aí. Pelo menos assim pensa todo um país, o tal dos brandos costumes. Neste país, humildade é uma conceito menor quando o desafio em cima da mesa é o exercício de admitir qual o seu maior defeito. E eles teimam nisso.

quarta-feira, junho 17, 2009

Polígrafo

A versão portuguesa da revista Time Out faz na sua edição desta semana uma chamada de capa a destacar o 10º aniversário "do melhor restaurante português", o Bica do Sapato.

É mentira.

Os Outros


Danny Trejo

Tira-se com uma mão, dá-se com a outra

O aspirante a jornalista que há em mim ainda está de luto com a saída de cena de Vital Moreira, mas vai ganhando ânimo com a confirmação de Jorge Jesus no Benfica. Não é difícil prever uma fase profundamente cristã (e lúdica) nas manchetes desportivas portuguesas dos próximos meses.

segunda-feira, junho 08, 2009

Reserva moral #2


"Red Headed Stranger" de Willie Nelson

Reserva moral #1


"Sparkle" de Aretha Franklin

A SIC também foi uma das perdedoras

Apesar de tudo, o melhor momento de ontem foi mesmo a reacção e comentário de António Barreto à sondagem que a SIC preparou relativamente às próximas legislativas e que anunciou com a mesma ansiedade com que um adolescente perde a virgindade.

O sociólogo - uma das vozes mais responsáveis e sensatas de um país composto por bipolares -, foi demolidor: tendo em conta o facto de a sondagem ter sido efectuada antes do acto eleitoral de ontem, estávamos perante um objecto de estudo absolutamente inócuo e sem qualquer utilidade. Os resultados de ontem mudavam tudo e, como tal, os valores da consulta passavam a valer o mesmo que nada

Clara de Sousa ainda tentou disfarçar o assassinato (mais que justo) do main event que a SIC tinha preparado para a noite de ontem. Nao conseguiu.

Reciclagem: o ecologismo na oratória

Os discursos do PCP (desculpem, da CDU) são sempre, invariavelmente, um dos melhores momentos das noites eleitorais desde o 25 de Abril. Como é óbvio foi mais um serão de vitória e triunfo lá para os lados da Soeiro Pereira Gomes - o facto de passarem para quarta força política nacional, atrás do Bloco de Esquerda, é apenas um pormenor -, mas o que mais me conforta é a ecologia e a economia dos meios usados.

Tenho poucas dúvidas de que Jerónimo de Sousa (esse sex symbol da classe operária apaixonada por danças de salão) utilizou o mesmo discurso que já usou em anteriores actos eleitorais. Foi só mudar os números nos espaços em brancos. Espectáculo!

quarta-feira, junho 03, 2009

Adepto/eleitor

A Ilda Figueiredo, para mim, tem o seu quê de Liedson. É com a maior das penas que a vejo a jogar na equipa em que joga. Um verdadeiro pecado.

terça-feira, junho 02, 2009

O lusófono que há em mim anda egoísta ou o egoísta que há em mim anda lusófono

Depois de garantir presença no concerto do portuense Manel Cruz no cinema São Jorge - Foge Foge Bandido! -, já na próxima terça-feira, ando investido em leituras históricas como O Pequeno Livro do Grande Terramoto (Tinta da China), do português Rui Tavares, e O Fazedor de Utopias - Uma Biografia de Amílcar Cabral (Tinta da China), do angolano António Tomás.

Para o Verão já foi criteriosamente decidida uma dedicada incursão pela Obra Completa do alfacinha Nuno Bragança (Dom Quixote) - muito provavelmente a começar pelo A Noite e o Riso -, não sem antes fazer finca pé em estar na plateia do encontro que o carioca Marcelo Camelo vai promover na Herdade da Casa Branca.

quarta-feira, maio 13, 2009

O travesti

Isto de ouvir Francisco Louçã - para fazer valer um ponto de vista - a recorrer a comentários e argumentos do Bispo de Setúbal à volta de crises sociais como a que se instalou no bairro da Bela Vista, é a mesma coisa que assitir a alguém a mudar de clube. Do mais penoso que pode haver.

Já não se pratica anticlericalismo como antigamente. Já travestis políticos... são às "pazadas".

domingo, maio 03, 2009

Buddha machine

A Paris Hilton que há em mim não oferece qualquer resistência a um acessório como deve ser. Mantras para todos os gostos e feitios.

quarta-feira, abril 29, 2009

Instabilidade social, made in NY


"Rip It Off" dos Times New Viking


"Ice Cream Spiritual!" dos Ponytail*

* Vi estas crianças (diabólicas) a semana passada no Music Hall de Williamsburg, no Brooklyn. É este o caminho do rock: demente, radioso e cheio de uivos.

quinta-feira, abril 02, 2009

Indo eu, indo eu, a caminho do Coliseu


G-20

A própria lógica do G20 é difícil de explicar. Não diria contraditória, mas no mínimo de gosto duvidoso. Gente gulosa zelosamente a guardar o seu lugar à mesa.

Agora um G-20 é que já faria muito sentido. Sair da merda com o apoio e companhia de um ombro amigo é manifestamente muito mais fácil.

segunda-feira, março 23, 2009

IV

Hoje a Cooperativa celebra 4 anos de ultrajes e desperdícios de tempo. Aviso: o terror é para continuar a ser semeado.

quinta-feira, março 19, 2009

Pontualidade austríaca

É de impressionar o timing da sentença do tribunal. A ironia da pontualidade austríaca não podia ser mais, insólita, digamos: Josef Fritzl, o predador que fez da própria filha a sua presa, foi condenado no Dia Pai.

Quanto à sua defesa é muito mais difícil fazer um comentário que seja. Segundo o próprio advogado, Fritzl era extremamente idiossincrático: "Ele [o predador] amou Elisabeth [a presa] à sua maneira". Evidente.

Barulho

O duo chama-se No Age e é do mais virilzinho que anda por aí. O segundo álbum, intitulado de Nouns, tem sido a única coisa que tenho conseguido ouvir nas últimas 2/3 semanas, especialmente quando estou a conduzir. Para dedicados militantes da road rage, como eu, poucas coisas poderão motivar mais.

Na qualidade de dupla, é impossível ouvir o disco sem pensar imediatamente (e apanhar os correspondentes arrepios) nos Lightning Bolt. Certo é que não há em Randy Randall e Dean Allen Spunt a mesma bipolaridade/esquizofrenia dos piromaníacos de Rhode Island, mas os agradáveis desequilíbrios emocionais estão por todo o lado num disco que honra e respeita o homérico catálogo do label em que foi editado, a venerável Sub Pop ( Hossana, Hossana nas alturas!).

Quanto a malhas, poucas coisas são mais sexy no actual firmamento (reacionário) do rock and roll que Teen Creeps, Cappo ou Sleeper Hold, só para chutar uns exemplos. Tudo com muita parcimónia de meios, mas com a devida exuberância sonora que se exige a quem quer fazer da vida a produção de barulho.

terça-feira, março 17, 2009

São Patrício

Well, it's a nice soft night so I think I'll go and join me comrades and talk a little treason, Michaleen Oge Flynn

quinta-feira, março 05, 2009

Jihad' s há muitas, meu palerma

Há coisas que me sossegam de sobremaneira nesta vida. Só o facto de, segundo a comunicação social, apenas ter de me preocupar com a jihad islâmica deixa-me em plena paz. Vá lá que não preciso me preocupar com a jihad católica, a jihad sikh ou, imagine-se o pânico, a jihad budista.

Enquanto só houver uma jihad, a islâmica claro está, está tudo menos mal.

quarta-feira, março 04, 2009

domingo, fevereiro 08, 2009

Tem desenhos e tudo

Façam um favor a vocês próprios e não percam numa sala de cinema o Valsa com Bashir (em Lisboa ainda está no King). Tem desenhos e tudo.

Gizmo caca!!

Enquanto muitos se vão entretendo com as passagens por terras nacionais de bandas britânicas que não merecem um pingo de comiseração alheia - lembro-me de repente dos lamentáveis Kaiser Chiefes e dos Oasis, muito provavelmente a melhor banda de karaoke do mundo -, a injustiça continua a grassar por esses meios culturais fora com a criminosa obliteração (vai buscar!) da passagem dos Mogwai pela Aula Magna.

Tudo como manda o figurino. Esquadrão de guitarras a criar uma barreira de som em cinemasope (imaginem o wall of sound do Spector em música para homenzinhos). Baixo alvo de uma discriminação sem precedentes. Microfone, esse, só para proceder a agradecimentos entre as músicas.

Como bom bando de highlanders aplicam um cachecol do Celtic na bateria e como bom bando de cavalheiros (mesmo escoceses... são britânicos), homenagearam devidamente Lux Interior, falecido nesse dia.

No fim, a minha enorme satisfação foi coroada com a confirmação de não ter apanhado ninguém do público com tampões de natação. Rock é rock.

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