segunda-feira, novembro 16, 2009

São Martinho e boas maneiras

Este ano o meu São Martinho foi festejado na Caixa Económica Operária com os Black Lips em palco, ou seja, com os Vampire Weekend em versão para homenzinhos em palco.

Produção muito impecável. Concerto memorável.

Ora vejam:

«Existe uma diferença enorme entre uma banda perseguida pelo seu público e outra que se entrega ao mesmo anulando o vedetismo-farpado que separa os primeiros. Depois de Good Bad Not Evil, lancheira pop que os confirmou como determinante banda rock, os Black Lips podiam ter ajustado o cu à poltrona do burguesismo e contratado um batalhão de intermediários, de modo a fazer render o peixe do sucesso numa morte lenta. Em vez disso, os Black Lips colocaram a reputação na roleta e voltaram a ser feios, porcos e maus. Chegaram à Graça no papel de heróis retornados, mas misturam-se com as pessoas, respondem por tu, confessam não ser capazes de tocar algumas do último 200 Million Thousand (são falíveis, repito) e oferecem um 7 polegadas autografado a um puto (o Alex) com idade muito abaixo da média presente. Quarenta minutos depois, os quatro de Atlanta democratizam o rock partilhando-o numa celebração gospel repleta de euforia, suor, mistura de fumos, copos pelo ar e psicadelismo para crianças.

Além disso, assenta-lhes bem o nome da (mítica) Caixa Económica Operária, situada bem no centro da Lisboa que sai à rua para falar merda sobre a bola e desarrumar as mesas de um café por causa de namoradas alheias. Os Black Lips são operários ao serviço do rock e esse não existe sem desequilíbrio e ameaça à espreita. E isso conduz-nos ao mito #224 no historial do quarteto: jovem atraente é assediada por membros da banda até que o namorado decide interromper o ritual. Uma testemunha ocular garante que foi o guitarrista Ian Saint Pé quem provocou a situação, outra testemunha revela que o viu a vomitar nas escadas antes do concerto. Depois, Cole pede desculpa em palco e o assunto fica resolvido. Perdoa-lhes então a ousadia, bravo Romeu (o namorado), porque estes rapazes precisam de alguns dentes (dourados) para cantar. E assim o fizeram em “O Katrina” (primeira agitação), “Short Fuse” (com o baterista-Ramone em evidência), “Drugs” (que, só por acaso, não é sobre drogas) e “Starting Over”. A ordem pode até não ser exactamente essa, porque uma noite assim não combina com sobriedade.

Mas não há embriaguez que deturpe a constatação de que Lisboa estava a assistir a um dos seus grandes concertos rock dos últimos anos. A noite já estava ganha (e o último concerto no Lux largamente superado, segundo me dizem) quando entra o doo wop desdentado de “Bad Kids” e, com ele, a explosão entre o público, com direito a stage dive, invasão de palco e rabos ao léu. Ainda antes do final, “Buried Alive”, obscuro lado-b de “Veni Vidi Vici”, salienta o ambiente de superstição e bruxaria que havia sido primeiramente insinuado pelo chapéu do grande guitarrista Cole Alexander. No final, sorrisos e satisfação imensa estampados no rosto de todos. Os cocózinhos confusos ficaram em casa a sonhar com discos de hypnagogic pop que ainda não existem.

Decididamente abalados pelo entusiasmo de um grande público, os britânicos Sticks estiveram à altura da missão com um rock simplista e “sempre a aviar” que só ganhou com a rotatividade dos seus três fomentadores.»
Nesta casa os bloggers são assim: fazem os post no terreno e, ainda por cima, são bravos (e romeus). Mesmo alguém proveniente do encantador universo white trash (de Atlanta, Georgia) tem que aprender a comportar-se com algumas (só algumas) maneiras.

quarta-feira, novembro 11, 2009

Um homem também chora

Título da versão portuguesa, "Um dia a casa vai abaixo". Toda a minha leitura deste filme mudou nos últimos meses: de uma igénua comédia, passou a ser interpretada como uma drama humano de rara, mas dura, sensibilidade.

segunda-feira, outubro 26, 2009

Auto de posse

Tanto socialismo, tanto socialismo, mas algum dos membros do novo Governo a assinarem o auto de posse com um bic cristal, ou coisa do género... 'tá quieto. Estava tudo artilhado com belíssimos exemplares da Mont Blanc, da Dupont, da Schaeffer e sucedâneos. Assim também eu.

quinta-feira, outubro 15, 2009

O futuro logo ali ao lado.... à mão de semear

(Como é habitual, foto emprestadada daqui)

Quanto a este assunto, como se esperava com irritante certeza, foi bem gostoso. Aquilo às vezes começa a crescer, a criar uma massa de som tal que nem os mais cépticos em relação ao apóclipse conseguem deixar de acreditar que estamos todos condenados. Mas a verdade é que, de repente, o futuro estava logo ali ao lado.... à mão de semear. Gostoso. Muito gostoso.

Para o fim-de-semana: novidades, clássicos e outros OVNIS


"The Visitor" de Jim O' Rourke


"TNT" dos Tortoise


"Future Days" dos Can


"Born Again Revisited" dos Times New Viking


"Talk Talk Talk" dos The Psychedelic Furs

terça-feira, outubro 06, 2009

terça-feira, setembro 29, 2009

Aprimorar aversões

Santana Lopes começou a sua campanha eleitoral deixando-se envolver num mega-conclave de taxistas da cidade de Lisboa. Irra que o homem parece que faz de propósito.

Orientem-se

Ciclicamente se fala da tão propalada "maturidade" da nossa democracia que, com os seus 36 anos de "serena" convivência pluri-partidária, nos dá todas as garantias de estabilidade para o futuro. O problema é que todo este raciocício tem sido secundarizado sistematicamente pela obsessão nacional pela "necessidade vital" da maioria absoluta. Mas agora é que vem o grande teste à tal "maturidade democrática" portuguesa

Expliquemo-nos: o nosso sistema parlamentar não foi feito para fazer da maioria absoluta uma condição sine qua non para a governabilidade. Esse é um novo-riquismo da política cá do burgo. Tendo isto em conta, agora é que se vai ver quem, na Assembleia da República, tem civismo, serenidade, panache, categoria e, acima de tudo, bom senso, para fazer de um parlamento tão tão fraccionado, um parlamento responsável, viabilizador, aberto ás negociações e que se assuma como o grande motor da governação do país (como, aliás, deve ser).

Foi para o tipo de votações que se conheceram domingo que o nosso sistema foi desenhado. As maiorias absolutas (felizmente) têm que ser meras excepções ou partidas que a história nos prega. Esta gente que manda e toma conta dos partidos têm que assumir as suas resposabilidade e não fazer da nação mais um brinquedo. Orientem-se.

quarta-feira, setembro 23, 2009

Ainda bem que o voto é secreto

Acabei de ver agora no telejornal da hora do almoço um "mussulinesco" Nuno Melo a afirmar, com toda a garra que o caracteriza, que "votar no CDS/PP é uma questão de bom gosto".

Pensei cá para mim: "Oh diabo...!... agora é que me apanhaste..." .

quinta-feira, setembro 10, 2009

A "luta" tem é de se focar

Tanta petição on-line para desideratos tão dispensáveis e nem uma iniciativa do género para baixar o preço destes "milagres".

Benefícios sociais

Poder ir (quase sempre) almoçar a casa dos pais tem destas coisas. Leitão de Negrais e três flutes de espumante (bruto, pois claro, como mandam as regras da civilização). É este o mais precioso benefício social que usufruto enquanto trabalhador por conta de outrem. E este, Sr. Louçã, é um benefício que ninguém poderá eliminar.

terça-feira, setembro 08, 2009

Sobre o debate de hoje à noite

Bom jogo "Zézito". Aquilo até parecia o Benfica-Vitória de Setúbal*.

* 8-1.

É sempre de desconfiar

Desconfio muito de quem tem um disco preferido dos The Beatles. Entre "Rubber Soul", "Revolver", "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band", o álbum branco e "Abbey Road" - o único elenco possível para uma questão fracturante como a que temos em mãos -, é impossível escolher. Quem o consegue fazer é gente que também não teria problemas em escolher um filho preferido. Sobre alguém assim, é sempre de desconfiar.

segunda-feira, setembro 07, 2009

Posto de vigia

Fuck Buttons, discutivelmente a melhor coisa que aconteceu à música electrónica desde o nascimento de Thomas Alva Edison. No couto de sempre. Dia 1 de Outubro. €10/€12 (conforme o planeamento financeiro a adoptar).

Mr. Miller & Mr. Meyers


Renovação de objectivos

A única coisa que nos últimos anos realmente me tem movido enquanto eleitor tem sido a possiblidade de contribuir activamente no enterrar (definitivo) da carreira política de Santana Lopes. Uma vez que esse é um assunto quase arrumado (para isso voto, para isso rezo), o Francisco Louçã é o senhor que se segue.

E agora, só para não me enervar, vou trabalhar um bocadinho.

quinta-feira, setembro 03, 2009

Coisas de míudos

O debate de ontem, politicamente falando, foi uma patetice pegada - um simples amontoado de slogans políticos, usados de parte a parte há mais de 12/24 meses -, mas não deixou , em certos momentos, de me levar em viagem por uma série de recordações que me são muito gratas.

Com tanta discussão à volta das (malditas) regras do debate, não pude evitar de me lembrar nas belíssimas horas e horas que passei (há muitos anos) com a minha irmã e os meus primos a jogar Monopólio. Como será evidente para qualquer leitor com uma infância normal, muitas dessas horas eram afincadamente gastas a discutir implacavelmente sobre as regras de um jogo de tabuleiro que ainda hoje será um verdadeiro mistério/tabu para qualquer militante comunista que se preze. Coisas de míudos.

terça-feira, agosto 25, 2009

Basta!

Tudo formatado. Tudo auto-anulado. Tudo "norte-coreanado". Os Ray-Ban Aviator (e sucedâneos) são a maior praga que este país enfrenta depois dos surfistas, da gripe A e dos adolescentes. Devia haver brigadas de costumes ou milícias populares de controle dispostas a destruir todos os pares de Aviator localizados nas ruas e praias deste país.

Chegou o momento de dizer basta.

quinta-feira, julho 30, 2009

(Censurado)

Apercebo-me tarde e a más horas que se criou por aí um enorme virote teórico-crítico por causa de um texto do crítico musical do Público, João Bonifácio, sobre o arraial que se montou num estádio que desde uma missa proferida pelo defunto João Paulo II não via tanta gente.

Estive no festival (shout out para o pessoal da Carnalentejana!!!). Li o texto (o Público portou-se como um mariquinhas pé de salsa). E assim vos digo: os de The Killers são um enorme conglomerado de cócó. Tudo aquilo é um extraordinário cagalhão de pop eurovisão.

Menos um bom homem

Certo é que o santuário vai continuar, mas a cidade fica bem mais pobre. Como diria o outro, Deus só leva os bons.

domingo, julho 26, 2009

quarta-feira, julho 22, 2009

Justiça accessorize

É óbvio que qualquer pena encerra em si mesma o objectivo de projectar na sociedade uma censura clara do acto ilícito praticado pelo delinquente e que, para isso, muitas vezes a pena aplicada incute (do verbo incutir) no agente do crime um sentimento de vergonha, constragimento ou embaraço pelo acto praticado.

Agora obrigar um fiscalista cinzentão, conservador por natureza e cavaquista por percurso a usar uma pulseira já me parece zombaria (do verbo zombar) a mais.

ps: é mais que evidente... o jurista que há em mim ainda vive!

segunda-feira, julho 13, 2009

De náusea em náusea

Há um bom par de anos as encíclicas musicais destinadas aos passageiros de elevadores elevou o uso das versões em pan pipe a patamares de pura naúsea. Agora temos os Nouvelle Vague, mas atenção: com elevadores ou não, a náusea continua a mesma.

terça-feira, julho 07, 2009

Sem pânicos

Os mais sensíveis (i.e. comunas) estarão bastante preocupados, mas a mensagem é de serenidade. Não há que entrar em pânicos com os recentes "acontecimentos" na região chinesa de Xinjiang.

Por mais que tentem, nada afectará a paz e harmonia entre os povos na festa do Avante!. E o Partido Comunista Chinês, como sempre, lá estará para prestar a sua inequívoca "solidariedade com a luta dos povos do mundo contra o imperialismo e pela democracia e o socialismo".

quinta-feira, julho 02, 2009

Mateleiros do mundo, uni-vos!!

Sobre o episódio da demissão do ministro Manuel Pinho só há uma coisa a dizer: toda a gente sabe que este país sempre foi muito preconceituoso em relação aos metaleiros. Deixem os rapazes em paz.

terça-feira, junho 30, 2009

Da imperfeição iluminada de um país

Os portugueses adoram a teimosia. Fazem o culto da teimosia. Teimam em ser teimosos. Mesmo que não o sejam, são teimosos ao ponto de se classificarem como tal. Não há nada mais certo e previsível: pergunte-se a anónimos ou personalidades públicas, ícones do auto-intitulado jet-set ou a aspirantes a putas mediáticas: "Qual o seu maior defeito?". A resposta é automática e vaidosa: "Sou muito teimoso/a". É de chapa. Deve tratar-se de um defeito com uma nobreza especial. Um defeito snob. Pelo menos essas pessoas assim devem pensar. Afinal de contas, à pergunta "Qual o seu principal defeito?" não deverá soar muito bem responder "Ah... essa é fácil: sou um pederasta inveterado". Não. Mesmo dentro dos defeitos, há uns melhores que outros, e a teimosia deve ser do melhor que anda aí. Pelo menos assim pensa todo um país, o tal dos brandos costumes. Neste país, humildade é uma conceito menor quando o desafio em cima da mesa é o exercício de admitir qual o seu maior defeito. E eles teimam nisso.

quarta-feira, junho 17, 2009

Polígrafo

A versão portuguesa da revista Time Out faz na sua edição desta semana uma chamada de capa a destacar o 10º aniversário "do melhor restaurante português", o Bica do Sapato.

É mentira.

Os Outros


Danny Trejo

Tira-se com uma mão, dá-se com a outra

O aspirante a jornalista que há em mim ainda está de luto com a saída de cena de Vital Moreira, mas vai ganhando ânimo com a confirmação de Jorge Jesus no Benfica. Não é difícil prever uma fase profundamente cristã (e lúdica) nas manchetes desportivas portuguesas dos próximos meses.

segunda-feira, junho 08, 2009

Reserva moral #2


"Red Headed Stranger" de Willie Nelson

Reserva moral #1


"Sparkle" de Aretha Franklin

A SIC também foi uma das perdedoras

Apesar de tudo, o melhor momento de ontem foi mesmo a reacção e comentário de António Barreto à sondagem que a SIC preparou relativamente às próximas legislativas e que anunciou com a mesma ansiedade com que um adolescente perde a virgindade.

O sociólogo - uma das vozes mais responsáveis e sensatas de um país composto por bipolares -, foi demolidor: tendo em conta o facto de a sondagem ter sido efectuada antes do acto eleitoral de ontem, estávamos perante um objecto de estudo absolutamente inócuo e sem qualquer utilidade. Os resultados de ontem mudavam tudo e, como tal, os valores da consulta passavam a valer o mesmo que nada

Clara de Sousa ainda tentou disfarçar o assassinato (mais que justo) do main event que a SIC tinha preparado para a noite de ontem. Nao conseguiu.

Reciclagem: o ecologismo na oratória

Os discursos do PCP (desculpem, da CDU) são sempre, invariavelmente, um dos melhores momentos das noites eleitorais desde o 25 de Abril. Como é óbvio foi mais um serão de vitória e triunfo lá para os lados da Soeiro Pereira Gomes - o facto de passarem para quarta força política nacional, atrás do Bloco de Esquerda, é apenas um pormenor -, mas o que mais me conforta é a ecologia e a economia dos meios usados.

Tenho poucas dúvidas de que Jerónimo de Sousa (esse sex symbol da classe operária apaixonada por danças de salão) utilizou o mesmo discurso que já usou em anteriores actos eleitorais. Foi só mudar os números nos espaços em brancos. Espectáculo!

quarta-feira, junho 03, 2009

Adepto/eleitor

A Ilda Figueiredo, para mim, tem o seu quê de Liedson. É com a maior das penas que a vejo a jogar na equipa em que joga. Um verdadeiro pecado.

terça-feira, junho 02, 2009

O lusófono que há em mim anda egoísta ou o egoísta que há em mim anda lusófono

Depois de garantir presença no concerto do portuense Manel Cruz no cinema São Jorge - Foge Foge Bandido! -, já na próxima terça-feira, ando investido em leituras históricas como O Pequeno Livro do Grande Terramoto (Tinta da China), do português Rui Tavares, e O Fazedor de Utopias - Uma Biografia de Amílcar Cabral (Tinta da China), do angolano António Tomás.

Para o Verão já foi criteriosamente decidida uma dedicada incursão pela Obra Completa do alfacinha Nuno Bragança (Dom Quixote) - muito provavelmente a começar pelo A Noite e o Riso -, não sem antes fazer finca pé em estar na plateia do encontro que o carioca Marcelo Camelo vai promover na Herdade da Casa Branca.

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