quarta-feira, abril 28, 2010

segunda-feira, abril 26, 2010

Youth. Sonic Youth. #3

Num alinhamento dominado pelo "The Eternal", ainda tocaram pérolas como "Shadow of a Doubt" (do "EVOL"), e "Schizophrenia" e "Stereo Sanctity" (de um dos meus favoritos de sempre, o "Sister"). Quanto ao encore, sem supresas, e ainda bem, avançaram para "The Sprawl" e "Cross the Breeze" do seminal "Daydream Nation".

Agora terem terminado o arraial com "Death Valley 69" - do "Bad Moon Raising" e uma das melhores malhas da história das malhas, - é que já não estava, de todo, à espera. Dentro de uma bolha egoísta, ainda pensei que era um teste-surpresa às minhas capacidades de conteção emocional. Mas não. Estava a acontecer mesmo. No fim, fui para o balcão da Solmar dissecar tudo aquilo com umas imperiais e um prego. E esse processo ainda não terminou. Que bom.

Youth. Sonic Youth. #2

Sobre a banda, uma única coisa a dizer. Eles são a verdade.

Youth. Sonic Youth. #1

Quinta-feira passada fui ver o Benfica do rock.

domingo, abril 18, 2010

This is Italy

«E depois encheu-se de coragem dizendo para consigo que os grandes sempre tiveram que subir na vida sozinhos. Por exemplo, o Eminem, ou o Hitler, ou o Christian Vieri.»

in "Como Deus Manda" de Niccolò Ammaniti

quarta-feira, abril 14, 2010

Pater familias #9

Ou a ZDB anda com a mania que é melhor que os outros (e é) ou ainda não percebeu que tive uma filha há trinta e um dias. No espaço de dois meses apresenta uma agenda que esmaga. Ele é Sensational & Spectre, ele é Times New Viking, ele é Lee Ranaldo, ele é Rafael Toral, ele é Tó Trips, ele é Shellac, ele é No Age, ele é Bonnie "Prince" Billy... Da minha parte, a rendição é o último dos recursos, mas um pouco de parcimónia nunca vez mal a niguém. Gulosos.

O povo é sereno

Há vida para além da Pitchfork.

quarta-feira, março 31, 2010

Pater familias #8

Ainda só tem duas semanas e meia, mas encara a inevitabilidade das cólicas com bravura e já viu o "The Wild Bunch" do Peckinpah. Temos guerreira.

segunda-feira, março 29, 2010

Ladies Love Cool R

«OKAY, I'M RELOADED!!!
You motherfuckers, think you big time?
Fuckin with Jay-Z, you gon' die, big time!
Here come the "Pain"!»

Aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

Pater familias #7

Estou bem longe de ter razões de queixa (como minha Graça?!?!?! Como?!?!?!), mas deixem-me dizer-vos que já apresento um belo par de olheiras, respeitáveis em qualquer lugar do mundo.

Pater familias #6

A paternidade está a fazer de mim um palerma mais comedido, mas cá vai disto: apaguei os Vampire Weekend da minha vida. Já nem sequer comprei o "Contra". Estou contra aquela merda toda. Um rock reaccionário-colonialista fardado a polos Abercrombie & Fitch com golas levantadas - que acabam por recordar muito mais a iconografia da Sacoor Brothers. Trampa para velejadores de fim-de-semana primaveril. Os verdadeiros anti-rock.

Os Outros


Sam Elliot

terça-feira, março 23, 2010

Pater familias #5

Entretanto descubro com surpresa que sou canhoto a dar colo.

A priest or a fool

"'Happy', I muttered, trying to pin the word down. But it is one of those words, like Love, that I never quite understood. Most people who deal in words don't have much faith in them and I am no exception - especially the big ones like Happy and Love and Honest and Strong. They are too elusive and far too relative when you compare them to sharp, mean little words like Punk and Cheap and Phony. I feel at home with these, because they're scrawny and easy to pin, but the big ones are tough and it takes either a priest or a fool to use them with any confidence."

Hunter S. Thompson in "The Rum Diary"

Pater familias #4

Hoje promovi o primeiro passeio em família. Hoje Carcavelos, amanhã o Mundo.

sexta-feira, março 19, 2010

Pater familias #3

Já tenho parceira para as maratonas televisivas. Da "March Madness", na ESPN America, ao Vale Tudo, na SIC Radical, ontem marchou tudo. Temos aficionada.

Pater familias #2

Só se é um verdadeiro Jedi quando se encara uma fralda cheia de cócó. Um Jedi tem que estar à vontade com material biohazard.

Pater familias #1

Este ano decidi que já era hora de celebrar o Dia do Pai.

quinta-feira, fevereiro 25, 2010

Ciclóstomos, socialistas e o covil ultra-conservador

Uma vez que a lampreia da semana passada no Solar dos Presuntos não atingiu os patamares de qualidade e brilhantismo a que estou habituado - provando que, para os socialistas, a comida é apenas um bem acessório para as constantes lutas que tem de lutar na luta por um Portugal melhor -, tenho que (novamente) procurar abrigo na ultra-conservadora York House, extraordinário templo que sempre se revelou excelso no arriscado exercício de cozinhar o fabuloso ciclóstomo.

segunda-feira, fevereiro 22, 2010

Exportações

Confirma-se sem qualquer tipo de favor: eles são de facto a melhor coisa a sair de New Jersey desde o "Nebraska" e "Os Sopranos".

quarta-feira, fevereiro 17, 2010

Jovens turcos


"Nouns", No Age


"Wavves", Wavves


"Post-Nothing", Japandroids

A Nova Ordem

«E, enquanto desciam para a estrada, seria difícil dizer dos dois qual era o Dom Quixote e qual era Sancho»

Giuseppe Tomasi di Lampedusa
in "O Leopardo"

terça-feira, fevereiro 09, 2010

Nº1


"Symphony No.1: Tonal Plexus" de Glenn Branca

(Penitenciagite!)


Em relação ao concerto dos reis do metal budista, os Sunn O))), bem sei que já lá vai uma semana, mas continua complicado perceber realmente o que por ali se passou. (Penitenciagite!) . Correndo o risco de entrar numa dispensável espiral de metáforas - a organização entregou tampões para os ouvidos à entrada!!!! -, aquilo primeiro dá a ideia de ser uma versão a 1 km/h do "Reign in Blood" movida a pazadas de ketamina, para depois se converter num abrasivo mantra especialmente criado para manadas de mamutes (juro que aquela merda dava para ouvir em Ponta Delgada... o concerto foi em Alcântara...). (Penitenciagite!).

Em relação à banda, toda ela vestida com um guarda roupa á la "O Nome da Rosa", gostei especialmente do seu líder, manifestamente um fã incondicional do senador Palpatine. (Penitenciagite!). No fim, alguns dos 400 hérois presentes podem ter ficado com a sensação que deveriam processar alguém - afinal de contas, nem nas salas de tortura de Guantanamo se usou aquilo. (Penitenciagite!). Outros com a certeza que na música, tal como em qualquer outro veículo artístico, a liberdade conceptual não tem limites. (Penitenciagite!). Eu pertenço ao segundo grupo. (Penitenciagite!).

quinta-feira, janeiro 28, 2010

A Caixa de Pandora


Track List:

01 - Persuasion
02 - Hamburger Lady
03 - Twenty Jazz Funk Greats
04 - Thank You Brian
05 - Maggot Death
06 - Rabbit Snare
07 - Lyre Liar
08 - Wimpy bar
09 - Sex String Theory
10 - Heathen Earth
11 - Industrial Intro
12 - R & D
13 - After After Cease To Exist

Designed by: Throbbing Gristle & Christiaan Virant

Concept by: Christiaan Virant (FM3)

Manufactured by: Industrial Records Ltd

Music by: Throbbing Gristle

Como já se esperava, a Buddha Machine criada pelos assustadoramente imprescindíveis Throbbing Gristle, foi a melhor coisa que aconteceu à música universal desde o anúncio do fim da carreira dos Delfins.

13 loops para lá de brilhantes, com o irresistível/viciante "pitch control" a abrir 1001 possibilidades no que toca à manipulação da sonorização perfeita para os nossos pesadelos. Na caixinha, arisca como poucas coisas, há de tudo: bandas-sonoras de "snuff movies"; sons para cenas não editadas do "Blade Runner"; sons gravados em salas de tortura de Guantanamo; retratos sónicos industriais capazes de fazerem os Nine Inch Nails uma cambada de meninos de coro; uivos de agonia transmitidos directamente das profundezas do Inferno (sim, felizmente, o Inferno existe); testemunhos de seres mutantes e alienígenas; ou previsões de como deverá soar o fim do mundo.

Tudo, e sempre, ao serviço do Gristleism, o meu novo ismo.

domingo, dezembro 27, 2009

Aquilo tem vida própria

Acabei-o hoje. Depois de quase dois meses de "penitência" (um termo que devia adornar qualquer texto sobre o livro) já faço parte da carneirada. E que bom que assim é. Como leitor, tenho vida até aqui e vida a partir daqui. Não há volta a dar. E que bom que assim é.

Jonathan Lethe, no New York Times, ajuda-me: «a novel like "2666" is its own preserving machine». Aquilo tem vida própria. Acreditem em mim: aquilo tem vida própria.

Como é evidente - especialmente tendo em conta o infantil histerismo que contaminam estas palavras -, é óbvio que o mundo agora divide-se entre aqueles que leram o livro e aqueles que não leram o livro. E sim, confirma-se: o primeiro grupo rules.

segunda-feira, dezembro 14, 2009

Envelhecer, o punk e Maria Callas

A minha vida deve ter chegado a uma encruzilhada para lá de esdrúxula quando, em pleno Cine-Teatro Ginásio Clube de Corroios, na Seixal City, percebo que tenho que ir a um concerto de punk/hardcore para me sentir como o mais jovem entre uma multidão(zinha).

É como se tem dito em surdina: não anda por aí nada tão conservador como o punk. Que não morreu, está velho, mas recomenda-se às toneladas. Já fulanizando a ocasião, há que precisar: em Jello Biafra o punk tem a sua Maria Callas.

quinta-feira, dezembro 10, 2009

terça-feira, dezembro 08, 2009

Amor

Ouviu o insano "Safe as Milk" inteirinho, sem um único reparo ou sinal de enfado. Amor é isto mesmo.

domingo, dezembro 06, 2009

Otorrinolaringologia

Coerência foi a palavra do fim-de-semana. Primeiro os encantadores Orelha Negra ao vivo no parque de estacionamento do Marquês de Pombal. Para terminar, uma revisão do "Blue Velvet".

quinta-feira, dezembro 03, 2009

Rosas


O José Manuel Pureza tem o mesmo efeito libertador e agregador no Bloco de Esquerda que o Telmo Correia em tempos teve no CDS/PP. São as Rosas Parks do nosso Parlamento. Ali já se ligou mais a nomes. Nos últimos anos, com a ajuda de pioneiros como os supramencionados, as coisas mudaram... e ganharam vergonha.

Para quando um Salvador ou um Diogo na bancada "soviética"?

segunda-feira, novembro 16, 2009

São Martinho e boas maneiras

Este ano o meu São Martinho foi festejado na Caixa Económica Operária com os Black Lips em palco, ou seja, com os Vampire Weekend em versão para homenzinhos em palco.

Produção muito impecável. Concerto memorável.

Ora vejam:

«Existe uma diferença enorme entre uma banda perseguida pelo seu público e outra que se entrega ao mesmo anulando o vedetismo-farpado que separa os primeiros. Depois de Good Bad Not Evil, lancheira pop que os confirmou como determinante banda rock, os Black Lips podiam ter ajustado o cu à poltrona do burguesismo e contratado um batalhão de intermediários, de modo a fazer render o peixe do sucesso numa morte lenta. Em vez disso, os Black Lips colocaram a reputação na roleta e voltaram a ser feios, porcos e maus. Chegaram à Graça no papel de heróis retornados, mas misturam-se com as pessoas, respondem por tu, confessam não ser capazes de tocar algumas do último 200 Million Thousand (são falíveis, repito) e oferecem um 7 polegadas autografado a um puto (o Alex) com idade muito abaixo da média presente. Quarenta minutos depois, os quatro de Atlanta democratizam o rock partilhando-o numa celebração gospel repleta de euforia, suor, mistura de fumos, copos pelo ar e psicadelismo para crianças.

Além disso, assenta-lhes bem o nome da (mítica) Caixa Económica Operária, situada bem no centro da Lisboa que sai à rua para falar merda sobre a bola e desarrumar as mesas de um café por causa de namoradas alheias. Os Black Lips são operários ao serviço do rock e esse não existe sem desequilíbrio e ameaça à espreita. E isso conduz-nos ao mito #224 no historial do quarteto: jovem atraente é assediada por membros da banda até que o namorado decide interromper o ritual. Uma testemunha ocular garante que foi o guitarrista Ian Saint Pé quem provocou a situação, outra testemunha revela que o viu a vomitar nas escadas antes do concerto. Depois, Cole pede desculpa em palco e o assunto fica resolvido. Perdoa-lhes então a ousadia, bravo Romeu (o namorado), porque estes rapazes precisam de alguns dentes (dourados) para cantar. E assim o fizeram em “O Katrina” (primeira agitação), “Short Fuse” (com o baterista-Ramone em evidência), “Drugs” (que, só por acaso, não é sobre drogas) e “Starting Over”. A ordem pode até não ser exactamente essa, porque uma noite assim não combina com sobriedade.

Mas não há embriaguez que deturpe a constatação de que Lisboa estava a assistir a um dos seus grandes concertos rock dos últimos anos. A noite já estava ganha (e o último concerto no Lux largamente superado, segundo me dizem) quando entra o doo wop desdentado de “Bad Kids” e, com ele, a explosão entre o público, com direito a stage dive, invasão de palco e rabos ao léu. Ainda antes do final, “Buried Alive”, obscuro lado-b de “Veni Vidi Vici”, salienta o ambiente de superstição e bruxaria que havia sido primeiramente insinuado pelo chapéu do grande guitarrista Cole Alexander. No final, sorrisos e satisfação imensa estampados no rosto de todos. Os cocózinhos confusos ficaram em casa a sonhar com discos de hypnagogic pop que ainda não existem.

Decididamente abalados pelo entusiasmo de um grande público, os britânicos Sticks estiveram à altura da missão com um rock simplista e “sempre a aviar” que só ganhou com a rotatividade dos seus três fomentadores.»
Nesta casa os bloggers são assim: fazem os post no terreno e, ainda por cima, são bravos (e romeus). Mesmo alguém proveniente do encantador universo white trash (de Atlanta, Georgia) tem que aprender a comportar-se com algumas (só algumas) maneiras.

quarta-feira, novembro 11, 2009

Um homem também chora

Título da versão portuguesa, "Um dia a casa vai abaixo". Toda a minha leitura deste filme mudou nos últimos meses: de uma igénua comédia, passou a ser interpretada como uma drama humano de rara, mas dura, sensibilidade.

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