Chego a Lisboa, abro o jornal e vejo que um árbitro quer processar o Estado por violação do segredo de justiça e doar o dinheiro da indemnização aos pobres. Parece que as escutas telefónicas – onde se soube que o ilustre juiz de partidas de futebol gostava de mulheres e não necessariamente da mesma – foram publicadas nos jornais.
Eu não discuto a questão jurídica que, apesar de engraçada, está condenada ao fracasso.
Discuto sim o argumento de dar o dinheiro aos pobres. É de uma pobreza de espírito e de uma carestia de pensamento sem precedentes. Por um lado porque pensa com isto encontrar maior piedade de quem o ouve, por outro porque atesta uma verdade absoluta sobre os portugueses; não sabem conviver com o dinheiro.
Seria preferível dizer: Eu posso perder a minha dignidade, a minha profissão e a minha mulher, mas ao menos não as perco de bolsos vazios.
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