terça-feira, janeiro 24, 2006

Queria só lembrar que isto não é o terceiro mundo

É lamentável em Portugal no ano 2006, a grande maioria das pessoas que falaram na noite das eleições começarem por dar os parabéns pelo facto do acto eleitoral ter decorrido de um modo civilizado e sem problemas. A quem é que estas pessoas se estão a dirigir? Aos guerrilheiros que estão escondidos na serra do Marão e que ameaçaram atacar com balões da água as secções de voto de Vila Real, ou à célula terrorista de Sobral da Adiça que pretendia pôr bombas de mau cheiro em Moura. Este género de comentário não só é desnecessário, como é ofensivo para a população. Nós já temos razões de sobra para nos sentirmos atrasados como país, não inventem mais.
Por favor, nas próximas eleições limitem-se a dar os parabéns ao vencedor e vão para casa porque na segunda é dia de trabalho.

6 comentários:

  1. Anónimo5:05 p.m.

    Meu caro amigo Joao, eleitor satisfeito,

    Portugal tem uma populacao de 12,5 milhoes (2 milhoes emigrantes incluídos).

    As eleicoes para Chefe de Estado foram essencialmente congeminadas por 5 partidos. (Blá, blá, igualdade de oportunidades: bulshit.)

    Os 5 partidos todos juntos contam com alguns 400.000 filiados, mas - na realidade - só a volta de 150.000 participam activamente na vida pública partidária (com as suas quotas pagas a darem-lhes direito de voto nos seus respectivos congressos partidários).

    Os 150.000 Portugueses, distribuídos por 5 partidos políticos, organizaram-se para apresentar ao país, no dealbar do século XXI:

    - 4 candidatos assumidamente/ex-comunistas E
    - 1 candidato social democrata.

    Pergunta: Quem escolheu o Chefe de Estado?

    Em bom rigor, os 150.000 Portugueses que efectivamente limitaram a escolha de todos os outros a 5 sujeitos.

    Pois bem, sao as regras do jogo democrático.

    Mas que imagem tem os outros 12,35 milhoes de Portugueses desses 150.000?

    É exagero dizer: 'Sao regra geral uns aldraboes, corruptos, interesseiros, burgessos, falsos, mentirosos, vendidos'? Nao.

    E, no entanto, no passado dia 22 de Janeiro, do universo de 12,5 milhoes de Portugueses, apenas 1/5 (um quinto), 22% deles bastaram para confirmar uma das escolhas previamente feitas, atribuindo o cargo de Chefe de Estado ao candidato social democrata.

    Viva!, viva!, dizes tu, a saúde política do país está bem e recomenda-se, principalmente - e ai de quem diga o contrário! - porque o rebanho de eleitores Portugueses é dos mais educados do mundo!.
    (Menos mal, digo eu. Sorte ao jogo desta vez.)

    Isto é a tua ideia de 'primeiro mundo'? Temos alguma coisa neste sistema político que nos cause orgulho?

    Eu percebo que seja um alívio pensar-se que 'ao menos isto nao é a Colombia!'... Mas daí a ter orgulho em dizer isso, vou ali e já (nao) volto.

    ...é esta a grande pandemia que afecta este país que de forca transcontinental se viu reduzido a um fraco incontinente: o contentar-se com o pouco, o tabelar pelo mínimo denominador comum, o 'puxar para baixo'.

    Ainda bem que o teu brio lusitano se mantém viril no combate a moinhos de vento. O meu passa fome debaixo deste totalitarismo democrático.

    Abraco,




    Wolfman

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  2. Mais uma vez aconteceu uma destas duas hipóteses:
    1ª – Não me expliquei bem
    2ª - Não percebeste o que queria dizer

    Partindo do princípio que foi a primeira hipótese, vou tentar ser mais explícito.
    O que eu queria dizer, é que apesar de não sermos o melhor exemplo de democracia (como tão bem explicaste por números), também não somos um país conhecido pelos distúrbios em actos eleitorais. Logo acho desnecessário o comentário inicial de muitos dos discursos, que se baseia nos elogios à forma ordeira como corre o dia das eleições.

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  3. Anónimo6:30 p.m.

    Explicaste-te muito bem meu caro.

    O que eu queria era chamar-te a atencao para a questao de fundo.

    Os elogios ao público ordeiro sao o biscoito-prémio ao cao obediente.

    Quem dera os 'actos eleitorais' (engracado como só me vem a cabeca a divisao duma peca teatral em partes) fossem 'representados' sob uma grande 'tomatada' por parte dos eleitores.

    (Epá, como e que tás?) Vai-se andando...

    Gandabrasse,



    Wolfman

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  4. O teu problema, é que já estás a ficar habituado a democracias um "bocadinho" mais evoluidas.

    Abraços

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  5. Foi lamentável que os candidatos não agradecessem aos revisores da CP a civilidade de não terem obliterado as orelhas dos eleitores no dia 22.
    (Concordo com o post.)

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